LITERALIXO
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DegenerEssência

Seminecrografia



Escrito por Giselly Greene às 18h10
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   DEGENERESSÊNCIA

Lançamento do primeiro gislivro (repare que o primeiro foi lançado após o segundo):

Uma parte da narrativa passa-se em 2007; a outra, em 1972. Ambas ocorrem na ilha de Litosferius, situada à oeste da Austrália, pouco acima do Trópico de Capricórnio.

Este é o primeiro livro da Tetralogia Giselística do Infanticídio, que se completa com “Seminecrografia”, “Adorável Desespero” e “Frieza”. Esses livros funcionam como complementos, por tratarem de temas parecidos, ao mesmo tempo em que também funcionam, cada um, de maneira independente.

Narra-se neste livro a vida de Sally Lynn, uma jovem inteligente e criativa que provavelmente tem muito azar, pois por mais que tente realizar seus sonhos, vê todos eles transformarem-se em pesadelos. Não se conformando em viver uma semivida, resolve pôr um fim a esse sofrimento. No entanto, percebe não ter coragem suficiente para dar cabo de si mesma, e passa então a procurar alguém que a ajude. Em suas tentativas encontra Tom Foley, um fotógrafo rico do alto de seus 40 anos que é casado com uma artista plástica chamada Karina. Tudo se torna cada vez pior para Sally, pois Tom apaixona-se por ela e ela por ele. Mesmo sendo verdadeiro, o amor que Sally sente por Tom nada tem de libertador, contrariamente revela-se uma prisão (assim como sua vida).

Outra parte da narrativa, que talvez explique o porquê de Sally ter escolhido Tom para ser seu “carrasco-libertador”, passa-se no início dos anos 70, onde vivenciamos uma pitoresca passagem da infância de Tom, que o marcaria para sempre. Trata-se da relação do mais profundo ódio que ele nutria por sua irmã.

Nessa obra tentei fugir de todos os clichês da personalidade humana, pois eles são generalistas e, consequentemente, não se aplicariam a meus personagens. Os temas da “impossibilidade” do suicídio e do infanticídio são muito pouco discutidos atualmente, tanto que têm sido considerados como tabus, especialmente no Ocidente. Penso que já passou da hora de tratar de assuntos como esse, pois assassinos de crianças, suicidas e crianças homicidas sempre existiram, em maior ou em menor grau dependendo da época focalizada, e ignorá-los não ajuda a ninguém.

Tanto neste como em meus outros livros trato em especial dos inúmeros empecilhos que são impostos a quem se cansa desta vida e pretende abreviá-la, pois muitos desses empecilhos (refiro-me aqui no Brasil às leis anti-armas e que controlam a venda de venenos como cianetos) foram criados com base em preconceitos e os preconceitos impedem os seres humanos de evoluírem e de alcançar sua plenitude. Neste romance explicito idéias que, creio eu, ainda não foram discutidas em sua plenitude, porque tal como as doenças, os preconceitos precisam ser enfrentados, já que não se curam por si mesmos.

DegenerEssência pode ser baixado aqui, mas eu o retirei porque me deu vontade, ora bolas.

 



Escrito por Giselly Greene às 10h36
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   MORADA CAPRICORNIANA

Quem o visse ali, do outro lado da rua, estático, aparentemente distraído, observando aquela casa, imaginaria que... Provavelmente não imaginaria nada, apenas estranharia o fato de que já estivesse ali havia mais de duas horas.
Não por acaso usava uma calça marrom um pouco larga, tênis de corrida, uma mochila marrom e uma blusa de lã azul. O marrom, predominante em sua vestimenta, tinha uma função extra: a de ajudar a atrair capricornianos. Isso vinha bem a calhar, já que o signo da casa era capricórnio, pois ficara pronta ao final de dezembro. Já a cor azul era considerada sua cor da sorte, pois em todas as ocasiões em que algo consideravelmente bom lhe havia acontecido, ele reparara que vestia azul. Ah, finalmente conseguira entender o real sentido da cromoterapia: se as coisas não saíssem como o planejado, ao menos poderia atribuir o fracasso às cores.
O clima daquela noite não estava muito favorável a passeios ou a caprichos, fazia mais frio do que de costume e a chuvinha fina que melancolicamente caía somada ao forte vento que parecia querer quase tudo para si, formava um clima de morbidez e angústia que dificultariam qualquer iniciativa por parte dele. Se houvesse transeuntes, eles se espantariam com o jeito como o rapaz vestido de marrom contemplava aquela habitação.
Ele mantinha uma expressão que qualquer um provido de visão arriscaria denominar apaixonada e um ar distraído como se não houvesse mais nada além de si mesmo e daquela construção. Muitos considerariam doentio seu comportamento, ele próprio jamais se julgara lá muito normal, mas não se importava, pois desconhecia o que ganharia se tentasse ser como todos os outros.
Desde sempre tinha adotado o costume de guardar tudo unicamente para si, era a forma mais eficiente de proteger seus escassos segredos. Por outro lado, o forte sentimento que nutria por aquela edificação não merecia ser mantido em sigilo. Naquele momento assemelhou-se a todos os outros grupos minoritários. A diferença entre eles era apenas uma: seu grupo era tão exclusivo que nem ao menos bastava para formar uma minoria. De qualquer forma, isso era o que menos lhe importava.
Tanta idolatria tinha se iniciado no dia anterior, quando pôde visitar o cerne da casa. A feliz proprietária ? idealizadora do projeto que o deixara estupefato ? tinha alguns amigos em comum e os convidara para uma festinha inaugural. Não tivesse sido quase arrastado por esses semi-amigos até lá, ele próprio não teria ido. Abominava festas, comemorações e cerimônias de todas as ordens e, no entanto, não sabia bem o porquê, decidiu abrir uma brecha em sua agenda e, também inconscientemente, em sua alma.
Suas pernas paralisaram-se no exato instante em que se deparara com o pé-direito duplo do living. Seus olhos se encheram de entusiasmo ao ver as curvas da maravilhosa escada machadiana que dava passagem para um belíssimo jardim interno, e seu coração passou a bater com muito mais intensidade ao avistar uma piscina coberta, inteiramente dessemelhante de todas as outras por conta de seu formato inédito, assim como quase todos os itens da casa. A partir daquele dia, aquela casa passara a habitar sua mente em tempo integral, sem exagero ou desvario.
Na verdade, essa doce obsessão por sua casa, não exatamente por aquela, tinha começado três anos antes, quando ele idealizara cada detalhe da casa dos seus sonhos, a casa que ele construiria tão logo surgisse a primeira oportunidade. Não era uma casa qualquer, mas única, difícil explicá-la, mas facílimo exemplificá-la. E era isso o que a morada daquela moça significava: a concretização de seu sonho. Nada mais era do que um plágio descarado de seu projeto, por isso o rapaz de marrom sentia como se a casa fosse sua. E, de uma forma estranha, em breve poderia vir a ser.
Tanto excitamento por causa de uma simples casa poderia parecer bobagem ou mesmo infantilidade, mas ele tinha uma explicação perfeitamente crível para tal conduta. Partindo do princípio de que todos os seres humanos são únicos, cada qual com fantasmas personalizados e conflitos próprios a combater, cada um deveria ter um lugar tão exclusivo quanto si próprio. E, por alguma razão que desconhecia, sentia que aquele era seu lugar. Só lhe restava descobrir o porquê de outra pessoa estar morando lá. Entendia a impossibilidade de desvendar todos os mistérios acerca desta vida, mas este tinha planejado fugir à regra. Um motivo simples e verdadeiro para tal acontecimento era o de que outra pessoa o realizara primeiro. Assim sendo, era justo que ele (que amava aquela casa) não pudesse jamais morar ali?
A morada atual daquele rapaz abatido trajado de marrom em nada se assemelhava àquela casa pós-modernista que lhe residia o coração. Era um apartamentozinho minúsculo e impessoal, irremediavelmente desprovido de qualquer personalidade, deprimente e insosso. Não refletia nem um pouco o gosto de seu residente e, mesmo sendo razoavelmente confortável, não passava de um lugar aonde ele ia apenas para dormir.
Tudo era demasiado simples e insípido, o que o tornava cada vez mais infeliz. O mais irônico de tudo era que, até aquele fatídico dia em que conhecera a tal casa, nunca havia percebido o quão insuficientemente agradável era seu atual domicílio.
De repente sua mente clareou-se e ele compreendeu que a causa de sua infelicidade era a carência daquela casa. Até aquele instante, sua vida tinha se mostrado um angustiante equívoco, pois não conseguira o que precisava. E, a partir daquele instante, teve certeza de que atingiria o mais alto grau de felicidade que um humano pode atingir caso viesse a adquirir aquele imóvel redentor.
Ali, contemplando a charmosa varanda que contornava toda a casa, lembrou-se do sonho que tinha tido na noite em que a conheceu. Sonhou com a deliciosa silhueta daquela casa, com seu mobiliário sedutor e pós-moderno, sua fachada atraente, sua lareira invariavelmente flamejante...
Aquela casa tinha de ser sua! Havia muitas coisas sem as quais poderia viver e, definitivamente, ela não fazia parte desse grupo. Precisava possuí-la, precisava tê-la entre seus bens duráveis, entre seus sonhos realizados. Sim, havia um jeito de fazer isso, na verdade, vários. Dinheiro não era problema, problema era não tê-lo.
Desatou a planejar um jeito mais fácil de tê-la para si. Passou a noite passeando entre aquele incompreendido encantamento e o desejo de posse que o açoitava. Não sabia muita coisa, mas sabia que, um dia ela seria sua e que esse dia chegaria logo.
Quando seus planos pareciam muito bem atados, percebeu que já tinha amanhecido e então sentiu-se profundamente solitário, como jamais sentira antes. Arriscou-se a iniciar um diálogo com seu objeto de desejo e começou indagando sobre sua nomenclatura. As grandes moradas, quase todas as mansões (odiava esta palavra) dos livros que leu, tinham nome. Nomes como Little Paddocks ou Villa Saint Eugène... Mas ele não achava graça em nenhuma dessas designações, nenhuma delas era boa o bastante para seu futuro lar. Ainda não tinha pensado numa denominação, mas sabia que pensaria na mais bela de todas.
Não sabia como continuar. Tinha muito mais a dizer, pouquíssimo a ouvir e nada a comemorar. Sentia-se exausto e com frio, mas estranhamente bem. Decidiu voltar para seu insípido apartamento, precisava descansar, se livrar daquelas enormes olheiras.
Durante o banho, fantasiou sobre a sensação de se banhar no interior daquela casa. Como seria o banheiro? Teria mais de um? Por ser uma casa que havia sido perpetrada para uma ou duas pessoas, supunha que tivesse apenas um, pois mais que isso seria supérfluo. Ou nem tanto, já que era provável que tivesse dois, sendo um completo e outro, um lavabo, para os visitantes. Com uma inexplicável certeza, afirmou para si que um simples banho nas dependências daquela recôndita casa seria uma experiência inigualável. Mal podia esperar para experimentá-la, mas naquele momento, tudo de que precisava era de algumas boas horas de sono. Dormiu profundamente, até pouco depois das oito da noite e, ao acordar lembrou-se do saboroso sonho que havia tido, com a tal casa inclusa nele.



Escrito por Giselly Greene às 19h26
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   MORADA CAPRICORNIANA (continuação)

Energia recarregada, farelos de biscoito na mesa, roupas pelo chão, jornais velhos esperando a coleta... hora de agir. Vestiu-se rapidamente, comeu qualquer coisa e, com uma desenvoltura que nem ele mesmo sabia que tinha, fez um arranjo com alguns galhos de camélias mesclados com cravos vermelhos e brancos.
Uma hora depois, armado com seu belo ikebana nagueire e sua inseparável mochila marrom, dirigiu-se ao que ele já assegurava ser sua futura residência. Encontrou-a tão linda e encantadora como quando a deixou e não pôde conter um sorriso. Ao passar pelo jardim, recolheu o jornal que parecia ter sido cuidadosamente colocado muitas horas antes no chão da varanda. Ao tocar a campainha, contraiu a certeza de que não poderia viver longe dali.
Esperou uns bons segundos antes de chamar novamente. Dessa vez arriscou olhar por uma janela e o que seus olhos presenciaram o impeliu a entrar mesmo sem ter sido convidado. Julgou que não houvesse ninguém em casa, e com base nisso concluiu que aquilo seria uma espécie de crime sem vítimas.
Decidido a entrar só faltava descobrir como, e essa era a parte mais fácil. Foi até a porta dos fundos, que dava acesso à cozinha branca lindamente ornada com tons cor-de-laranja e, após desculpar-se por quebrar um dos vidros da porta, girou a chave que estava do lado de dentro e entrou.
Uma vez no âmago da casa, sentia-se como um garotinho de cinco anos em sua primeira visita ao zoológico. Sempre ponderara que uma sala de estar necessariamente tinha de ser mais do que apenas confortável ou bonitinha, tinha obrigação de ser estonteante. Tudo devia ser delineado com o intuito de enfartar, de emoção e de deslumbramento, a quem tivesse a sorte de adentrar o espaço em questão. E aquela sala era exatamente assim.
Logo que seus pés tocaram aquele assoalho perfeito e a luz refletiu o encanto daquele ambiente, respirou longa e densamente, queria aproveitar ao máximo aquela atmosfera argentária onde o ar parecia realmente puro, como em nenhum outro lugar. Resolveu excursionar por todos os outros singularíssimos cômodos e, a cada ambiente em que se embrenhava, sentia-se ainda mais extasiado.
Certificou-se mais uma vez de que se encontrava a sós com a casa, então tirou uma câmera fotográfica da mochila e desatou a fotografar cada detalhe que descobria, inebriado de prazer. Depois de explorar cada adorável centímetro de cada ambiente, resolveu medir seu objeto de desejo.
Era de se imaginar que, horas antes ele tivesse planejado cautelosamente cada item que levaria em sua mochila, mas tal alternativa estaria, de certa forma, equivocada. Independente do local para onde ia, sempre levava consigo objetos como uma boa e confiável fita métrica, cordas e outros apetrechos cujo uso até aquele dia tinha sido raríssimo.
Desde menino sustentava manias assim, estranhas para a maioria que, a propósito, costumava estranhar quase tudo, mas jamais tinha se deixado abater por algo tão insignificante quanto o reles julgamento alheio. As poucas pessoas de seu conhecimento também tinham manias consideradas excêntricas, como a garota que sempre levava consigo um isqueiro, sendo que ela não fumava e também jamais o havia utilizado para qualquer outro fim.
Ora, o grau de esquisitice dessas pessoas não era maior do que o QI dos que as subjugavam. De repente, enojou-se desse mundinho hipocritamente livre em que fingimos viver e cogitou sobre a idéia de que talvez essa liberdade da qual tanto nos gabamos usufruir seja apenas o livre-arbítrio para optar por se render ou continuar a pelejar. Mas, numa noite de sonhos quase realizados certamente não havia espaço para pensamentos soturnos como esses.
Continuou a medir a casa e percebeu que sua aposta inicial se mostrara inexata, pois o total da metragem era muito superior ao que acreditava ser. Por fora não parecia grande, mas em suas entranhas, era suntuosamente espaçosa. Além do mais, sua silhueta não era “apenas” de uma beleza assustadoramente simples, tinha ainda inúmeras outras facetas a serem admiradas. Eram tantas e igualmente inacreditáveis suas extraordinárias qualidades que todo o tempo de que dispunha não lhe permitia que enumerasse todas. Sua alegria e contentamento tinham atingido níveis nunca antes alcançados, mal podia acreditar na própria sorte. A sorte que era estar ali, e curtir aquelas memoráveis horas naquele recinto fascinante.
Passou aquela encantadora noite assim, em um estado de deslumbramento ímpar que só foi quebrado pelo suave ruído de chave cutucando a porta principal.
Não precisava de companhia, estava muitíssimo bem, apenas ele e a casa. Havia mais alguém para arruinar sua noite, mas ele estava decidido a evitar tal tragédia a qualquer custo.
No entanto, numa atinada mudança de planos, decidiu que o melhor a fazer naquela circunstância era simplesmente desaparecer dali antes que a residente (que ele supunha ser a intrusa que tinha vindo dissolver sua alegria) desse por sua presença.
Então extraiu o máximo daquele ambiente, foi o mais feliz que pôde, enquanto pôde, despediu-se com um sorriso de gratidão e, sapatos na mão, caminhou, sorrateiro, para a ala sul, por onde havia entrado e por onde sairia. Ao observar os cacos de vidro da porta, seus pensamentos enevoaram-se, mas justificou-se não apenas a si mesmo, afirmando com uma convicção pueril e concomitantemente sábia, que o amor sempre machuca. Então pegou sua carteira, tirou algumas pratas para garantir o conserto da porta e saiu dali o mais rápido que pôde.
No caminho de volta à sua desenxabida casa visualizou as sedutoras curvas daquela edificação, que por muito tempo permaneceriam frescas em sua memória. Pensou também que deveria considerar-se um exímio traidor, já que fora elícito por outro domicílio. Seu apartamento estaria se “sentindo” rejeitado, ridículo, desnecessário.
Pensando nisso, resolveu ser mais complacente com ele, pois até então, aquele tinha sido o único lar que ele conhecia, o único que sempre o protegeu. Levado mais por esse sentimento de culpa do que propriamente por amor, resolveu levar-lhe um presentinho e escolheu uma exímia falsificação de um Kandinsky que ele julgou muito bem-feita, para enfeitar a parede do corredor que ligava a copa à sala de estar.
Já na segurança de seu gélido apartamento, permanecia eufórico graças às lembranças recentes daquela aventura recém-realizada. Preparou um café forte e amargo e através de sua sinóptica janela observou que nascia um novo e solitário dia, mas não se deixou abater. Ao invés disso, pegou sua máquina fotográfica, acoplou-a ao computador e passou toda a manhã se deliciando com as esplêndidas imagens de sua amada.
Ao ver as várias fotos da faustosa escada, lembrou-se do ikebana que havia levado. Afinal, onde o teria deixado? Se bem que isso já não importava tanto assim, pois denotava apenas mais um vestígio de que alguém tinha estado lá. Dadas as circunstâncias, também devia admitir que não fora muito cuidadoso ao estilhaçar a porta ao entrar. E ainda havia o dinheiro como uma terceira prova de sua presença não-solicitada.
De qualquer forma, não estava muito preocupado com nada disso, pois sua noite havia sido, de longe, a melhor dos últimos anos... Embora não soubesse exatamente de quantos anos estava falando, pois não conseguia lembrar-se de nenhum acontecimento feliz ou apenas bom que lhe houvesse ocorrido.
Tentou desviar seu pensamento para sua rival, a moradora. Estaria ela pensando que sua encantadora casa tinha sido invadida por um débil mental cujas forças intelectuais não lhe permitiram nem ao menos tentar disfarçar que tinha estado ali? Poderia também estar imaginando que algum psicopata a perseguia e que tinha entrado em sua casa para mostrar um pouco de seu poder sobre aquela jovem indefesa. Ou que tinha uma espécie de admirador secreto, afinal, o intruso lhe havia trazido flores.
Essa última teoria em particular era a mais cabível na opinião geral dos policiais que ela havia acionado. Estava mais do que claro que nenhum deles tinha levado aquela denúncia a sério, afinal, tudo exceto a porta, permanecia intacto. Ela, ao contrário, estava apavorada com a idéia de ter tido sua privacidade exposta daquela forma. Abominava a idéia de ter perdido o controle sobre sua casa, seu amor, sua vida. Para que se sentisse mais segura decidiu convidar alguém, assim não passaria a noite sozinha.
Tal ação poderia ser descrita como totalmente desnecessária, pois nosso intruso não planejava atacar pelos próximos dias. Reconhecia que tinha passado um pouco dos limites e, além do mais, ainda estava deliciando-se com as lembranças que havia apanhado. As fotos eram como pequenas obras de arte, traduzindo em fabulosas imagens estáticas aquele ambiente extremamente charmoso e acolhedor. Claro que não era tão difícil atingir resultados semelhantes, pois aquele lugar era como o paraíso. E ele, como o excelente fotógrafo amador que se considerava, não podia deixar de se deleitar duplamente com aquelas primorosas fotos.
Avaliava aquela afortunada residente sua inimiga e apesar de desaprovar inteiramente quase todas as formas de violência, não podia deixar de cultuar a violência justificada. Sabia que precisaria dar um jeito nela e aquela casa lhe havia concedido um poço de justificativas.
Como o faria ainda era um mistério, que esperava solucionar muito em breve, não se tratava de nada que umas horas de bom planejamento não resolvesse. Não poderia deixar que nada obstruísse o luminoso caminho rumo a seu objeto de desejo. Já tinha uma idéia de como tratar do assunto, mas ainda era uma idéia primária e, como tal, precisava ser devidamente lapidada. Jamais tinha feito algo parecido, mas sentia-se seguro em relação a certos sentimentos que inevitavelmente viriam à tona depois de concluído seu plano, por isso agiria como se fosse uma simples tarefa a ser executada. O que não seria nada difícil, pois pelo seu ângulo de visão, o ato em questão não passava disso. Fazendo isso não estaria de forma alguma traindo seus princípios éticos como ser humano, estaria apenas vencendo uma batalha, para variar.
Certa vez, ouvira alguém dizer que se cometem crimes por ciúme, por ignorância, por falta de ocupação mais socialmente aceita e por outras centenas de motivos, mas que jamais se mata por amor. Não tinha uma idéia muito clara do porquê, mas não conseguia discordar deste argumento. Não sabia por que tinha relembrado aquela citação, mas pensou que isso fosse um sinal. Um sinal de que sua consciência há muito adormecida já se encontrava totalmente desperta e ainda não tinha percebido.
Não importava, não havia ainda um plano concreto, nem mesmo isso precisaria desfazer. Infelizmente, manter a paz com sua consciência lhe custaria um preço que considerava alto, que implicava em manter o problema. Precisava admitir que se tratava de um valor bem salgado, mas ainda assim, justo. A partir daquele instante passou a desejar ser mais impulsivo, pois se assim fosse, estaria bem mais próximo da realização de seu único sonho.
Passaram-se alguns dias antes que ele ganhasse o duelo que havia travado contra sua prudência. Ultimamente, mais especificamente, após aquela inesquecível noite com a casa, vinha negando a real necessidade de revê-la. E, numa singela tarde, rendeu-se a sua veleidade. O clamor por revê-la era verdadeira e incontrolável, não se tratava de um capricho. Assemelhava-se muito mais a um vício, sentia que a atmosfera daquele ambiente encantador havia substituído boa parte de suas células de forma que nem mesmo ele poderia explicar. A loucura, que durante toda a sua vida tinha-o perseguido finalmente o tinha encurralado? Não podia aceitar sua própria teoria, mas também não podia encontrar outra explicação lógica.
Precisou usar todo o autocontrole que até então não julgara ter para impedir que o demônio do desespero o chicoteasse. Ao menos se descobriu forte e isso o tornou menos infeliz por alguns minutos. O que não entendia era como a paz de espírito podia ser tão terrivelmente dolorosa, gostaria que houvesse alguém para responder-lhe. Num instante pensava ter sido destituído de seu lado humano, no outro já se culpava por ter tido pensamentos que ele mesmo passara a considerar enjeitáveis. Sua consciência o havia traído a fim de trancafiá-lo no porão de angústia no qual se encontrava. Mas nada o impedia de revidar... A não ser, é claro, o fato de que seu plano era péssimo e, caso fosse posto em prática, extinguiria todas as chances de conquistar a tão idolatrada casa. Por outro lado, não podia ficar de braços cruzados até que fosse corroído por aquela imitação de paz a que havia se sujeitado.
O barulho da campainha da vizinha o trouxe de volta a realidade e, ao observar à sua volta, sentiu-se estranhamente abatido. O estado em que seu apartamento se encontrava era deplorável. Havia xícaras de café e embalagens de chá gelado por toda parte. Uma pilha imensa de jornais antigos se amontoava num canto da saleta embolorada. A cozinha estava completamente inabitável, a não ser para ratos e alguns insetos indesejáveis.
Num sobressalto começou a organizar aquela bagunça da melhor forma que podia, afinal, já que logo se mudaria dali, teria que entregar o apartamento limpíssimo ou, no mínimo, apresentável. Enquanto arrumava, recordou as circunstâncias nas quais tinha chegado ali. Aquela tinha sido sua primeira morada em liberdade, após deixar a casa de seus pais às pressas.
LIBERDADE!
Liberdade, fria liberdade... que representava declínio.
Sim, aquele lugarzinho medonho há muito havia servido muito bem ao propósito de um verdadeiro lar, mas entrara numa insalubre decadência. Sim, ele ainda dispunha de certo valor sentimental, mesmo que bastante obscurecido por sua nova paixão, é verdade, mas ainda existia um valor implícito. Resolveu que o melhor a fazer era redesenhar seus pensamentos e até que uma nova idéia brotasse da sua mente recém-purificada, conformar-se-ia com o que tinha.
Entretanto, jamais deixaria de amar aquela adorável casa de paredes alvas realçadas por acessórios de cores vibrantes, apenas por consideração a sua atual morada. Sempre sentiria mais falta daquela encantadora residência do que ela poderia vir a sentir dele, mas isso não o entristeceu, apenas o deixou um pouco cítrico.
Assustou-se ao perceber sua intensa capacidade de amar, mas orgulhou-se disso. Não era possível que um sentimento tão intenso e arrebatador o tornasse assim tão monstruosamente diferente de todo o resto da humanidade. A existência de algo tão pleno de beleza tornava mais aceitável a idéia de que um ser humano razoavelmente inteligente e perfeitamente são pudesse cair de amores por um ser inanimado. E não é sempre que temos a chance de tornar a vida menos difícil.
Com pensamento como esse, terminou de limpar o apartamento e, no intuito de abstrair-se de si mesmo por algumas horas ou apenas para espantar o tédio, decidiu alugar um vídeo. Prevendo o inegável monopólio regido pela digitalização, temia que em pouco tempo não houvesse mais nada disponível em VHS, portanto, aproveitaria enquanto ainda existia.
Desceu pelas escadas, pois tinha um sério problema com elevadores e, em poucos minutos já caminhava tranqüilamente pela rua principal. Cortou caminho por um canteiro de obras e em poucos instantes chegou a videolocadora. Entrou tão apressadamente a ponto de nem perceber a agitação que havia lá dentro. Mas, logo um simpático sujeito vestindo calça e blusa marrons, fez questão de informá-lo do que estava ocorrendo e, em seguida, transformou aquela tarde pacata na sua última tentativa de viver.

 



Escrito por Giselly Greene às 19h25
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   SEMINECROGRAFIA

Ueba!!!

E, para tristeza geral dos lixonatas, eis agora para download meu segundo romance distanista, a "Seminecrografia"!!! Esse é o segundo da antástica (SIC) e inacreditável Tetralogia do Distanismo, e que funciona separado dos outros como ficção; juntamente com os três outros opúsculos da tetralogia, ele funciona como um grito contra... Hmm, bem... Ah, já sei: contra este mundo!!!

Resumo:

Vol é um homem de personalidade ambígua, egocentrista e, concomitante, altruísta (é caridoso, faz trabalhos voluntários, doações a diversas instituições carentes, etc) que deseja abdicar de sua vida. Porém, há um problema: ele acredita que o planeta ficará pior sem suas ações humanitárias, por isso precisa encontrar alguém que o substitua, que tenha personalidade parecida e que esteja disposto a sacrificar seus próprios planos de vida em prol dos planos que Vol fez para si mesmo, mas que não poderá realizar em vida. Ele então publica um anúncio num jornal local, mas o único que interessa-se pelo "emprego" é N.C., sujeito que é a personificação do fracasso, tanto financeiro quanto espiritual e a quem Vol passa a desprezar.

Paralelamente, Vol vive lapsos de tempo que não consegue explicar, e isso o faz pensar que está enlouquecendo. Esse é o palpite também de sua namorada esporádica, Elissa, que imagina que Vol tenha desenvolvido dupla personalidade. A partir de então, fatos estranhos e aparentemente inexplicáveis passam a ocorrer, até mesmo fatos que Vol julgava impossíveis.

Pode pegar o bicho aqui. Ou não!



Escrito por Giselly Greene às 14h01
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   APENAS ISSO BASTA

Sobre o livre-arbitrio, essa é a desculpa que os criacionistas usam para inocentar seu deus. Se Deus existe e é onipotente e se ele criou esse universo, então como pode ter sido tão descuidado a ponto de querer destruir sua obra? Ao criar os humanos, ele indiretamente contribuiu para que sua obra-prima (o planeta Terra) fosse degradada. Que onipotência é essa que não o impediu de criar seres tão imperfeitos como as pessoas? Porque ele não deixou que apenas os outros animais vivessem aqui? Eles nunca degradam ambiente algum; vivem do que a terra lhes dá, caçam (o que é um brutalidade, mas "aceitável", de certo ponto de vista), mas nunca estragam seu ambiente nem o dos outros.

E se Jesus existiu, e se fez tantas coisas boas como as que a gente lê na Bíblia, então aí está outra prova do quão sádico ele é. Quem, em sã consciência, envia o próprio filho para uma morte torturante como aquela? Claro, a desculpa esfarrapada é de que que ele estava tentando salvar a humanidade, mas me pergunto novamente: Por que não usou de toda sua onipotência para essa "pequena" tarefa? Ou simplesmente por que não melhorou os homens? Ou ainda: Salvar a humanidade de quê? Por acaso alguém se sente a salvo aqui?

Não sou uma rebelde sem causa. Aliás, nem rebelde eu sou, mas é que não consigo aceitar essas coisas.

Se Jesus morreu na cruz por nós então isso só prova o que eu já disse, e alimenta ainda mais minha revolta. Começo a acreditar naquela estória sobre o homem ter sido feito à imagem e semelhança de Deus. Como eu posso não me horrorizar em estar cercada de tantas pessoas abomináveis? 

Imagine a seguinte cena: uma mãe acaba de dar a luz a uma criança; ela pega seu bebê e o abandona num terreno baldio. Poucos dias depois o bebê é encontrado morto.

Que conclusão tiramos disso?

Ora, a mulher evidentemente deu a seu adorado filho o livre-arbitrio.

O que o suposto Deus fez com a humanidade foi a mesma coisa. Se Deus realmente existe e se criou o universo, então deveria ter dotado os homens da dose de sabedoria necessária para que pudessem lidar com a liberdade. A liberdade concedida a um ser que não tem condições físicas de lidar com ela torna-se a pior das prisões.

Você mesmo pode criar inúmeros outros exemplos como esses e sabe que eles fazem sentido. Se Deus não queria interferir na vida de niguém, porque ele não quer ser autoritário, deveria, no mínimo (e digo que isso é um dever dele porque se foi ele quem nos criou, então tem seus deveres para conosco, assim como nós temos os nosso deveres para com ele) dotar TODAS as pessoas de uma boa quantidade de sabedoria para que elas pudessem usufruir da liberdade.

No opúsculo "A Cabana", de William Young (que indicaram a mim há muito tempo e em circunstâncias que prefiro esquecer), Jesus diz que sua intenção sempre foi que pudesse viver em comunhão com os humanos, em ordem de igualdade. Mas onde há igualdade aí? Se Jesus realmente existiu, então aí está a maior contradição a esse argumento: a de que ele foi superior a todos os humanos. Sim, porque ele não julgou nem mesmo àqueles que lhe fizeram mal e sempre fez o bem a incontáveis pessoas; enfim, porque ele foi capaz de algo que muito humanos até poderiam fazer, mas não o querem.

Eu me pergunto algumas coisas:

1. Quem disse que a liberdade (livre-arbitrio) é o que os seres humanos mais precisam, quando há tantas outras coisas que nos fazem falta, como por exemplo, a paz, o amor, a solidariedade, o respeito? Não é à toa que há ainda hoje defensores ferrenhos do livre-arbitrio que deixam seus filhos morrerem de alguma doença facilmente curável simplesmente porque não os levam ao médico, pois intereferir na doença seria um insulto a Deus ou falta de fé.

2. E, mesmo que a liberdade fosse a única coisa de que precisássemos, por que Deus sentir-se-ia no dever de nos dar isso, se raramente nos deu algo que se possa considerar útil?

Outra passagem no livro que não faz o menor sentido é esta, em que o protagonista Mack conversa com seu deus:

"- Mas você veio na forma de homem. Isso não significa alguma coisa?

- Sim, mas não o que muitos imaginam. Vim como homem para completar a imagem maravilhosa de como fizemos vocês. Desde o primeiro dia escondemos a mulher no homem, de modo que na hora certa pudéssemos retirá-la de dentro dele. Não criamos o homem para viver sozinho. A mulher foi projetada desde o início. Ao tirá-la de dentro dele, de certa forma ele a deu à luz. Criamos um círculo de relacionamento como o nosso, mas para os humanos. Ela saindo dele e agora todos os homens, inclusive eu, nascidos dela, e tudo se originando ou nascendo de Deus.

- Ah, entendi. Se a mulher fosse criada primeiro, não haveria um círculo de relacionamento e não se tornaria possível um relacionamento totalmente igual, cara a cara, entre o homem e a mulher. Certo?

- Certíssimo, Mack. Nosso desejo foi criar um ser que tivesse uma contrapartida totalmente igual e poderosa: o homem e a mulher. Mas sua independência, com a busca de poder e de realização, na verdade destrói o relacionamento que seu coração deseja."

Ora, se no Gênesis estivesse escrito o oposto, que a mulher foi criada por Deus e em seguida, de uma costela dele, Deus criou o homem, provavelmente teríamos visto uma inversão do que tivemos, os homens teriam sido escravizados pelas mulheres...

Se a mitologia da Bíblia afirmasse que a mulher foi criada antes do homem, isso não interferiria em nada no relacionamento de igual para igual. Aliás, um relacionamento que, em teoria, é possível, mas que na prática sempre esteve longe de ser concretizado.

Enfim, esse é um assunto sem fim, então paro por aqui.



Escrito por Giselly Greene às 11h45
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   NADA A FAZER

De alguns anos para cá tenho sentido que as coisas andam muito piores do que já estiveram. Sim, eu sempre me senti assim com relação a mim, mas estive sempre tão ocupada olhando para o meu próprio umbigo que nunca tinha notado o quão mal ia o mundo. Bom, tinha notado sim, mas não no que se refere aos aspectos relativos às artes em geral.

Quando movo meu pescoço preguiçoso para trás, percebo que já no início do século XX não existia nada mais a ser criado nas Artes Plásticas, tanto é que o charlatão Duchamp e trupe vieram com aquela baboseira anti-arte, alegando que tudo é arte (tfu!). E, pensando bem, guardadas as devidas proporções, o mesmo vale para as outras formas de arte.

No caso da música, a coisa começou a degringolar para todos os estilos no fim dos anos 80, embora tenha surgido nesta década alguns compositores de inegável talento e inspiração infinita, como Billy Corgan, Stephen Malkmus, Jeff Tweedy, Renato Russo, Leoni e uns poucos outros.

Acaso todos os artistas (isto é, compositores, teatrólogos, pintores, cineastas, etc, e não esse bando de pseudoautores, músicos e atores medíocres que pensam ser importantes apenas por estarem na TV) deixassem de produzir novas obras, a humanidade nada perderia (a não ser no quesito financeiro, embora creia que as reedições de livros e de discos e as reprises de programas de TV e de longas-metragens nos cineclubes seriam capazes de satisfazer esse mercado), embora deixasse de ganhar em criatividade, pois para produzir criatividade é preciso tê-la.

Não, não é uma visão catastrófica, apocalíptica, e é evidente que não sou tão ingênua a ponto de pensar que algo tão radical vá acontecer algum dia, mesmo daqui a uns mil anos, sei que jamais acontecerá algo assim enquanto existir o abominabilíssimo capitalismo, que por sua vez, jamais deixará de existir enquanto a humanidade estiver por aí.

Grr...



Escrito por Giselly Greene às 11h45
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   GISPEÇAS SOBRESSALENTES

 

Olá, lixonautas!!!

Venho por meio desta trazer-lhes os textos de algumas das peças teatrais (sim, era assim que eu as chamava) que escrevi antes de me tornar o sumo do supra-sumo em matéria de alta literatura, e não tanto de literalixo.

A quem possa desinteressar, descarregue-as dos links a seguir:

Todos as gispeças

Por Sobre o Maldito Horizonte do Mais Terrível Crepúsculo Vespertino Eu Farandolei

O Maldito Dia em que Quase Perdi Minha Mãe Para o Linóleo

O Noviço II - O Maldito Retorno de Ambrósio

Farelo ou Migalha

 



Escrito por Giselly Greene às 18h06
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Uma super-edificante mensagem de esperança de Giselly Grix:

"Não importa o quão ruim a situação esteja, lembre-se de que sempre haverá uma forca no fim do galho."



Escrito por Giselly Greene às 14h56
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   Citações Mortiças

 

...E para mostrar que não tenho palavra, voltei!!!!!!!!!!!!!!

Agora, com uma atualização por ano.

E, para comemorar este que é mais um excelente dia para morrer, mando aí duas gislistas mortiças:

 

AS 5 PIORES FRASES SOBRE A MORTE

1° "... para mim há dois lugares maravilhosos para se morrer: na cama, amando, e no palco, trabalhando." Mara Rúbia

2° "Se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais." Safo de Lesbos

3° "A morte é um nojo. Morrer é uma autêntica vergonha. Que sentido é que faz? A vida pode não ser bonita, mas a morte é um horror. Qual paz, qual sopa de alho porro. Qual não tenhas medo, estás nas mãos de Deus! Diante da morte, o medo é a única reação sensata que se pode ter. A morte é um atraso de vida." Miguel Esteves Cardoso

4° A vida pode ser difícil mas a morte é demasiado fácil. A vida é diferente, mas a morte é igual. A vida é comprida. A morte é um instante. Da nossa vida tudo nos é pedido e esperado. Da morte ninguém exige nada. Mais vale viver mal e errado que morrer bem arrumado.Mais uma do "genial" MEC

5° "Não há cura para o nascimento e a morte, exceto desfrutar o intervalo." George Santayana

 

AS 10 MELHORES FRASES SOBRE A MORTE

1° "A morte é uma das poucas coisas que podem ser feitas simplesmente deitando-se." Woody Allen

2° "O que se tornou perfeito, inteiramente maduro, quer morrer." Nietzsche

3° "Um primeiro sinal do conhecimento nascente é o desejo de morrer. Esta vida parece insuportável; uma outra, inalcançável. Não há mais vergonha em se desejar morrer; pede-se apenas o deslocamento da velha cela, que se odeia, para uma nova, a qual no devido tempo se aprenderá a odiar. Um resquício de fé deverá fazer crer, durante a mudança, que o Senhor vai casualmente surgir no corredor, olhar o prisioneiro e dizer: “Este não deve ser preso novamente. Ele vem comigo”. Franz Kafka

4° "Todo o existente nasce sem razão, prolonga-se por fraqueza e morre por encontro imprevisto." J. P. Sartre

5° "Morrer é uma arte, como tudo o mais. Que eu pratico surpreendentemente bem. " Sylvia Plath (NG.: Verdade, pois enfiar a cabeça no forno é um jeito bem prático de morrer)

6° "Devemos chorar os homens quando nascem, não quando morrem." Barão de Montesquieu

7° "Aquele que os deuses querem favorecer morre jovem, enquanto sua saúde for boa e seus sentidos e seu julgamento, ainda sãos. " Plauto

8° "Começamos a morrer no exato momento em que nascemos." Voltaire

9° "Use toda a sua saúde a ponto de esgotá-la e gaste todo o seu dinheiro antes de morrer. Não vale a pena sobreviver a essas coisas." G. B. Shaw

10° "Fumar mata e, quando se morre, perde-se uma parte muito importante da vida." Brooke Shields

 



Escrito por Giselly Greene às 12h43
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   O FIM

Para provar que eu tenho palavra, este é o fim do Literalixo.

Eu e este blog já devíamos ter ido embora há muito tempo.

Adeus, e-maginários lixonautinhas.



Escrito por Giselly Greene às 21h42
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   MAIS SEMIPLÁGIOS MUSICALESCOS

» "Very Ape", do Nirvana originou a superótima "Voodoo people", do Prodigy;

» "Ask me anything", dos Strokes = "Dream On", do Depeche Mode;

» "See the sun", do James Iha = "The Viaduct", Pastels;

» "Dirty bird", do fantástico Blemish = "Love", dos Pumpkins;

» Falando neles, "East, dos SP é uma pré-"Rhinoceros";

» "Divine Hammer", dos chatolas Breeders = "Priest, Poet and the Pig", do óóóótimo VietNam;

» "Outtasite", do Wilco = "Out of your life", do Bob Mould;

» "Man next door", do Massive Attack = "Filmstar", do Suede;

» "What to do", do festeiro OK Go = "Brain Stew", do Green Day, que deixou de ser uma das minhas vinte bandas favoritas;

» "Getting real", do Teenage Fanclub = "Outtasite (Outtamind)", do Wilco;

» "Kingdom hall", do Van Morrison = "Sneaky feelings", do Elvis Costello;

» "Cape canaveral", nova do novo do Conor Oberst, rememora a igualmente radiosa "Lost cause", do Beck, sendo que consegue ser ainda mais tocante, mais simples nos arranjos e mais apaixonante;

» O hitão "Candy", da parceria entre Iggy Pop e Kate Pierson é derivado de "I can't help myself", do fantástico Orange Juice;

» "Somebody to Love", do Great Society/Jefferson Airplane inspirou "Coo Coo", da Janis Joplin, lançada um ano depois. Lembrando que a Janis também regravou "Somebody to love", ou seja, assumiu o plágio);

» "Why won't you give me your love", do Zutons, tem tudo de "Brats", do excelentíssimo Mark Knopfler;

» "Life is good", do Snooze é mais um que plagiou "Sparky's dream", do Teenage Fanclub. Lembrando que a Gigi aqui já tinha citado que Sparky's serviu de inspiração à desgraciosa "Não Fuja da Dor", dos Titãs;

» "Rip it up", do Orange Juice remete à "Say hello wave goodbye", do Soft Cell;

» E que "A Man Needs to be Told", do Charlatans remete a "Closing Time", do Leonard Cohen;

» "Ghosts", do Ladytron = "Beautiful People", do Marilyn Manson e é puro anos 80;

» "Far away", do Starfish 100 = "Kennedy", do Wedding Present, sendo que o início de Kennedy é puro "Sugar kane", do Sonic Youth;

» "Hard Time", do Ron Sexsmith = "Sentimental", do Los Hermanos;

» "Miss America", do David Byrne = "Rip it up", do Orange Juice;

» Duas músicas superdíspares entre si, mas estranhamente parecidas: "I can see clearly", do Jimmy Cliff e "Chain of Flowers", do sensacional Nick Cave e as sementes maligníssimas.

 



Escrito por Giselly Greene às 21h41
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   MAIS PLÁGIOS DE CLIPES

"O plágio é a forma mais sincera de elogio". Sófocles

» Os trejeitos da Shirley Manson no clipe de "Only Happy When It Rains", do Garbage lembram os de Christina Amphlett, vocalista do Divinyls em "I Touch Myself";

» "Rat is Dead", do ultrabominável Cansei de Ser Sexy, tentou copiar "Inbetween Days", do The Cure, mas só conseguiu mesmo ficar na casca. Lamentabilíssimo;

» "I'm from further not but you", do Wedding Present = "Nothing Better", do Postal Service, mas com estórias diferentes;

» "Ocean Breaths Salty", segundo clipe do delicioso "Good News For People Who Loves Bad News", do Modest Mouse, ao contrário do que eu julgava, é bacanudo sim, além do que lembra "Mockingbirds", do super Grand Lee Buffalo (por causa do cara-pássaro).

» É impossível não fazer a conexão CureHead ao ver o clipe da fabulosa "Alt end", do The Cure. Tem o mesmo clima soturno da floresta assombrada da já fantasmagórica "There There", do Radiohead.

» E já que estamos falando de Cure, o clipaço da maravilhosa "Taking Off" é uma junção perfeita de "So Alive", do Ryan Adams e de "Just Like Heaven", do próprio Cure. Parece até que pegaram os dois clipes e bateram no liquidificador. E não é que deu uma mistura muito boa?

» "Walking In the Sun", do Travis remete a "Walking Contradiction", do Green Day e é tão sensacional quanto;

» "Esqueça o que eu digo", da Alcoopop = "Undenied", do Portishead.

 



Escrito por Giselly Greene às 18h58
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   OS 5 PIORES LIVROS DE TODO O MALDITO SÉCULO PASSADO

Lista de melhores já era, a onda agora é emporcalhar sua cabecinha lixesca -- já que acabo de emporcalhar a minha.

Por mais que selecionemos os livrinhos que farão parte de nossa livroteca pessoalesca, vez por outra cometemos alguns deslizes. Alguns, até perdoáveis; outros, nem tanto.

Claro que entre tantas bacanices surgem algumas parvoíces, nem tanto por culpa nossa, mas porque neste mundo tem gente que insiste em nos "presentear" com itens tanto insossos, quando não completamente ilegíveis de tão abomináveis.

baixo, umas contra-recs para seu contradeleite:

Adriana Alves de Araújo - As Mais Belas Poesias do Novo Milênio: Título mais que presunçoso para um livrinho insosso. Pois é, para você ter uma idéia do quanto é tosco, saiba que euzinha, sua Giselíssima predileta, a poetisa sem poesia, a lixosa rainha da lixolândia, a idiota anticlichê, a supramagnificência em forma humana, o sumo do supra-sumo, enfim, eu que sou eu sou ainda mais original que essa aí. E não estou exagerando, não. Esta compilação melosa de poesias ainda meladas não merece ser lida nem mesmo pela causa graças à qual foi publicada, mesmo sendo esta bastante nobre.

João Mohana "A Vida Sexual dos Solteiros e Casados": Assunto já batido tratado de forma arcaica. E põe arcaica nisso, meu! O autor usa expressões das mais ultrapassadas como se o troço tivesse sido escrito na Idade Média! É nisso que dá ler qualquer coisa que caia nas mãos... Mas, a idéia mais esquisita de todas é imaginar que os tais casados do título realmente tenham uma vida sexual, tfu!

Mary Alice Monroe "O Clube do Livro": Sem comentas, tsc, tsc... Ganhei esse troço aí num maldito amigo secreto do qual fui obrigada a participar, numa época longínqua. Quis rasgar essa desgrama em mil e atirar na cara da infeliz que se achou brilhante o bastante para me fazer de palhaça. Bom, fica aí uma valiosa dica ao lixonauta: jamais participe de amigos-secretos, mesmo que te obriguem a isso. Não se desespere, lembre-se de que sempre haverá uma forca no fim do galho.

Toni Tucci - O Segredo da Borboleta: Típico lixo auto-ajudativo e autobiográfico daqueles que só ajudam mesmo seus autores... A leitura, além de se revelar de um pedantismo inagüentável, ainda por cima minimiza o leitor. Perto dessa porcaria com P.H.d, este blog lixesco é o paraíso da boa escrita...

Álvares de Azevedo - Macunaíma: Sei que pode parecer maldade proveniente de uma cadela que não tem QI suficiente para ler-entender-deleitar-se com esta pseudomaravilha da literatura brasileira, mas realmente é um pé-no-saco. Não consigo ver a menor graça nesta lixeba horrenda, muito menos naquele protagonista antipaticíssimo, grande causador de minha nojosidade por esta pérola do mau gosto. Nem parece o mesmo autor do arrebatador "Contos Novos"...

 



Escrito por Giselly Greene às 21h35
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   CLÁSSICOS DA LITERATURA MUNDIAL QUE A GIGI NÃO RECOMENDA NEM SOB TORTURA

Eu não aguento! "A Dama das Camélias" é a coisa mais nojosa que já tive o infortúnio de ler. Parece mais o tipo de quel que deve ter inspirado escritoras água-com-açúcar como Mary Alice Monroe. É assustador o modo como aquela horrorenta protagonista é ridiculamente insossa e vazia. Nada nela é profundo, nem mesmo sua frivolidade, que vai até os ossos. Passei a vida inteira ouvindo maravilhas sobre essa obra-prima do patético Dumas Filho, e alimentei milhões de expectativas, mas assim fica difícil não cair para trás.

Por mil demônios fedorentos, o bichano escrevia mal para caralho, é impossível ler aquela merdiculosidade sem vomitar a cada alocução. Mas, claro, duas ou três frases de efeito não fazem um bom drama, que neste caso, se transformou no pior dos melodramas que eu já vi. Vai entrar no primeiro lugar da lista das peças que eu gostaria de jamais ter lido. Aliás, não merece nem ser chamada de peça teatral, pois até minha "Farelo ou Migalha" é superior a esse troço meloso - e é também a pior peça que já escrevi (em duas versões: morango ou chocolate). Se bem que o problema não é a melosidade desenfreada, e sim o modo como o texto (?) é inútil e apavorantemente desdotado de alma, de profundidade, de poesia. Dumas Filho mais se asemelhava a algum estudante da segunda série tentando escrever poesias. Ridiculosíssimo o modo como agem TODOS os personagens, pior ainda é o plastificado ciúme do Armando, que foi incompetentemente criado com a intenção de ser doentio, mas acabou ficando tão patético que não convenceria nem um telenoveleiro assumido.

Deixa-me doente e não entendo como uma merda daquela pôde se eternizar? Bem, acabo de responder à esta pergunta. E quanto àquele excesso perturbador de pontos de exclamação? Que diabo é aquilo? Me pergunto se eles foram inclusos pela tradutora da edição brasileira, mas acho que já estavam lá antes disso. Na versão que eu transcrevi (em pesadelo), fiz questão de retirar boa parte dessas exclamações pleonásticas ultra-ridiculosíssimosérrimas. Pior ainda é o modo como as vírgulas foram colocadas, todas onde não deveriam estar, erro primário inaceitável até num aluno de pré-primário!

Quem dera fosse 'só' isso...

Inesquecível, no pior dos sentidos, aquela cena última na qual a piranhona finalmente morre. Além de termos de aturar aquela ladainha infinita sobre o pseudo-amor que alegava sentir pelo ridiculoso Armando, ainda somos obrigados a ouvir as baboseiras galinhísticas sobre a morte e a vida, sobre a existência de um Deus misericordioso (tão confiante a vagabunda está que acredita que poderá ser salva de sua devassidão e nugacidade!) e o diabo que a carregue! Mais inexplicável que o fato de chamarem Dumas de dramaturgo, só mesmo o fato de que TODOS os homens pareciam cair de amores por aquele estrupício, que nem ao menos era uma mulher e sim um poço lamacento de mediocridade e rispidez que me causavam tanto asco quanto o mais eficiente dos vomitórios. Não li outras obras de Dumas, mas pretendo dexistenciar-me antes de voltar a ler outra bobajada dessa.

 

 



Escrito por Giselly Greene às 13h30
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   GISELLY GREENE ORGULHOSAMENTE APRESENTA... COMO ESCREVER UM BEST-SELLER ou DESVENDANDO SIDNEY SHELDON

Isso mesmo, fazendo jus ao título deste blog, a sua filantrochata humanotária antropobesta favorita está de volta, pronta para ajudar aos que não querem ser como ela!!!!!!!!! 

Puxa vida, eu já tinha me esquecido como Sheldon é bom. Ele tem um talento dos infernos, além de ser um workaholic hiperprodutivo – sim, amigos, existem workaholics pouco produtivos e eu sou um exemplo (im)perfeito deste tipinho. Agora eu entendo porque todas as personagens dele têm vidas perfeitas (e seus romances, finais felizes): é porque ele retrata fielmente a sua época e seu meio ambiente; porque ele vive rodeado por pessoas ricas, bonitas e famosas; porque ele também é assim, porque sua própria vivência exemplifica que é possível conseguir milhões de dólares com trabalho árduo, perseverança, sortesortesortesortesortesortesorte e talento, afinal, ele é um dos pouquíssimos que não é um best-seller à toa, um entre um bilhão de seres. Ele fez sucesso com sua própria fórmula (que tantos tentaram, em vão, copiar - e eu me incluo nesta lista, mas há uns cinco anos desisti), que inclui grandes perseguições, heróis além da imaginação, vidas mais que gloriosas, personagens que são superbonzinhos ou ultraperniciosos, estórias cheias de reviravoltas (virada da virada... da virada), quase um estilo novelesco (mas com muito mais classe e menos ingenuidade babaca), mistura alguns gêneros (mas nada a ver com o new new weird), 60% de ação, uns 40% de romance, numa narrativa delirante e envolvente (grau de grudência: 100%!); muitas personagens, e todas elas com estórias de vida bastante incomuns (ou muito tristes ou muito maravilhosas) e por aí vai. Sheldon pode ser criticado por seus diálogos irritantemente telenovelescos, pelos freqüentes parênteses com pensamentos vergonhosos dos personagens e por sei lá mais o que, mas a verdade é que ele ainda assim, merece todo esse auê em torno de sua obra literária porque descobriu uma fórmula infalível para agradar a TODOS os públicos. Eu seria a primeira a torcer meu grande nariz para ele, mas a verdade é que não é qualquer um que consegue usar elementos intelectualmente tão chinfrins para criar estórias espetaculares e instigantes. Ele provavelmente tem alguma coisa que somente seus personagens mais brilhantes têm: nasceram virados para a Lua. Admito que o invejo, mas o admiro acima de tudo. É um caso raro em que inveja e admiração andam juntas e em harmonia. Ele foi o primeiro grande escritor que abrilhantou minha nojosa vidinha. Ele foi o primeiro que me ajudou a passar boas horas em agradabilíssima companhia, me fez esquecer a minha ultra-ordinária semivida (que já tinha começado a se mostrar insuportável quando eu tinha sete anos), por algumas horas gloriosas, afinal, não é essa a grande sacada das Artes? Nos transportar para outra dimensão, em que essas leis ridículas dos humanos ridículos não existam? É essa a real função da arte, a abstração (além de instigar, conduzir pensamentos, discutir conceitos e outros), é isso o que procuramos quando vemos um filme, quando ouvimos música ou quando lemos um livro! A arte serve para nos arrancar de nossas vis existências e nos trazer um pouco de diversão e acalento; serve para nos mostrar que nem tudo neste mundo nojento e cruel é tão nojento ou tão cruel. E Sheldon o faz brilhantemente, por isso sempre foi e sempre será um dos meus dez mais.

Os sheldianos mais recomendados pela Giselíssima: "As Areias do Tempo"; "O Reverso da Medalha", "O Outro Lado da Meia-Noite"; "Se Houver Amanhã". Recomendaria também "Um Capricho Dos Deuses" e "O Fantasma da Meia-Noite", mas não o farei pelos seguintes: "O Fantasma..." é infanto-juvenil, o que não permitiu a Sheldon que demonstrasse todo o seu valor; além do mais, esse livro tem para mim um valor mais sentimental que literário; já "Um Capricho dos Deuses" tem uma narrativa tão viva quanto os outros, mas infelizmente peca muuuuuito nos clichês de "família de classe-média ultrairritantemente comum" muito mais do que eu qualquer outro de seus romances. O mesmo acontece com a bestalóide protagonista do surpreendente (não são todos?) "Conte-me Seus Sonhos", que conta com enredo mais que genial sobre assunto pouquíssimo explorado e superinteressantérrimo, o TDC (ops, spoiler!). 

Enfim, vamos aos principais truques sheldonianos:

1 - Conte estórias de personagens que 'se fizeram por si mesmos' e chegaram a níveis inimagináveis de riqueza e sucesso na carreira, como todas as personagens 'perfeitas' do Sheldon;

2 - Adote um estilo 'telenovelesco', isto é, personagens e diálogos cliclezentos;

3 - Não se esqueça de incluir de 7% a 10% de cenas de sexo. E pode ir esquecendo as convenções sociais, seja "semi-udigrudi", se aproximando de porno-escritores chinfrins como Harold Hobbins e Charles Bukowski

4 - Cite sempre muitos nomes de ruas, bares... Faça seus milhões de personagens andarem por milhões de ruas. Isso tudo ajuda bastante a encher linguiça,a ssim como falar de aspectos da vida de cada um dos personagens;

5 - Inclua personagens que são superhumanos (superdisposição, superbeleza, QI inimaginavelmente alto, muito carisma, etc), que façam até mesmo pessoas ultraegocentristas se sentiriem piores que lixebas podres;

6 - Todos os personagens (ou quase todos) tinham algum graaande segredo, que eram arremessados no leitor sempre que o gongo tocava. Use isto;

7 - Narração sempre na 3ª pessoa do singular, onipresente e onisciente. Repare que este não é um tique exclusivo do Sheldon, mas também de praticamente todos os outros best-sellers por aí desde até Dan Brown;

8 - Final feliz!!!!!!! Nunca se esqueça de incluir um desfecho que a maioria das pessoas vá gostar.

 



Escrito por Giselly Greene às 21h51
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   EMULANDO SHAKESPEARE

 

Se quiser imitar o grande mestre, não pode ter receio de se tornar um perfeito chatola, pois só sendo perfeitamente mala para poder escrever textos perfeitamente pedantes. Vamos às regrinhas:

Coloque milhares de personagens bobos e que não tenham nenhuma função a não ser confundir a cabeça do bem-intencionado leitor. E não se preocupe com o destino que dará a todos eles, porque pode ter certeza de que seu leitor também nem se importará com isso;

Se você quiser alcançar a tão almejada "riqueza psicológica" que os personagens shakesperianos têm, basta planejar personagens planos disfarçados de personagens redondos, assim você conseguirá que os críticos se rasguem em elogios. Sim, incrivelmente esse truquezinho chinfrim dos tempos de Sófocles (outro mala sem alças e sem rodas) ainda funciona na nossa época tão telenovelesca. Aliás, funciona exatamente por causa disso;

Inclua muitos "espíritos" e seres sobrenaturais detentores de poderes de meter inveja até nos X-Men. Acredite, isso dá certo até hoje, basta ver o sucesso que as Rowlin da vida fazem. Já o sucesso do inventivo Tolkien eu não explico;

Faça os personagens serem tão chatolas quanto os dele, sempre a repetir ad aeternum a mesma maldita fala até que entre na cabeça do interlocutor e não saia mais, como ele fez na chatíssima "A Tempestade" (numa época em que ele já estava gagá);

Pode reparar que nas peças do nosso "ó mais charlatão", a ação sempre poderia ocorrer em um ou dois cenários os mais simples e, no entanto, ele sempre incluía milhares de cenários sem pé nem cabeça, totalmente desnecessários. Isso porque ele queria impressionar pela grandiosidade e pompa de suas produções, ao invés de se ater ao bom e velho texto. Mas eu concordo, o público aprecia mesmo é o espetáculo como um todo, e o Fallabella do século XVI sempre soube o que o público queria;

De vez em quando inclua uma ou outra frase pseudo-espirituosa para impressionar os críticos tão charlatães quanto você. Exemplos disso podem ser econtrados aos montes em sua peças mais famosas (por isso são as mais famosas): "Hamlet" e "Romeu e Julieta";

Lição de moral pé-no-saco não pode faltar. Essa é a parte mais fácil para os autores de hoje, pois lhes basta abrir qualquer livrinho vagabundo de "auto-ajuda" e copiar os primeiros parágrafos. 

Obs.: Eu sei, eu sei, passei a impressão de que não gosto ou não entendo a obra shakesperiana. Nada disso, caríssimo lixonauta. O que ocorre é que Shakespeare foi um dramaturgo de algum talento, mas passou bem longe da genialidade. Ele foi superestimado pela crítica e continua a ser, porque em sua época poucos ou nenhum autor além dele foi capaz de tocar diretamente o coração das massas. Medíocre, então? Eu não diria isso, ele certamente tinha seu valor, mas havia outros que poderiam e mereciam ter tomado seu lugar. Ibsen seria um deles, se tivesse nascido no mínimo 400 anos antes, e dotado de muito carisma e de uma esposa rica, coisas que ele nunca teve.

 



Escrito por Giselly Greene às 21h50
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   COMO ESCREVER UM ROMANCE "ÁGUA-COM-AÇÚCAR"

 

Se você quer escrever livros muito bons e que vendam bastante (como os do Sheldon), mas não consegue, isso não significa que você não possa se tornar um super vendedor de livros (e nada de vender porta-a-porta).

Desde que me conheço por gente, tenho visto muitas escritorazinhas ridículas alçarem voo e declinarem logo em seguida, mas sempre mantendo a mesma atitude pseudo-requintada de um milinário decadente. Infelizmente, muitas delas, uma vez no topo, passam a planar suavemente pelos céus da fama.

E por que??????

Oras, porque o mundo sempre teve e sempre terá ínumeros leitores eventuais e desocupados (desses que Nietzsche -- sim, novamente evoco-o, ó mais sábio -- chamava de "supérfluos") que querem apenas uma estória boba e que não exija muita concentração para ler rapidamente e sobre a qual possam comentar com seus amiguinhos igualmente descerebrados.

Bom, à lista de como imitar Sheldon (no post acima), eu acrescentaria esses:

1 - Inclua sempre personagens pomposos, bobalóides e ultra-irritantemente normais. O que? Não sabe que bicho é esse? Isto é, neófobos que vivem a reclamar da boa vida que levam e que, quando se defrontam com uma chance única de mudar suas vis existências, não só hesitam como lesmas mortas como batem com a porta na cara da sorte. Ufa, bem resumido;

2 - Classe média alta em evidência: lindas e espaçosas casas; família de pai ausente; mãe dedicada e desocupada; um filho pequeno e chatola; dois filhos pré-adolescentes resmungões; um cachorro pequeno, branquinho e fofinho; um ou dois SUVs na garagem; longas horas de desjejum; escadarias na sala de estar; segue.

3 - Personagens rumando para a decadência social e psciológica e que, no fim, "dão a volta por cima" e demonstram que sabem lidar tão bem com a riqueza quanto com a pobreza (exceto com sua pobreza mental);

4 - Descrições longuíssimas e pedantes de cenários e de personagens;

5 - É claro que não pode faltar um belo e reluzente final ultrafeliiiiz, ueba!

É simples e é $uce$$o na certa.

PSG: Pois sim, pois sim. Eu sei que o raivoso lixonautinha está se perguntando: "Oras, se ela sabe como escrever best-sellers, então por que não o faz?" Já ouvu aquela que afirma que o crítico (especialmente o amador) é aquele que sabe o caminho mas que não sabe dirigir o carro?

 



Escrito por Giselly Greene às 21h49
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   DIÁRIO DA SUBESCRITORA 12-13/6 (emendei esta entrada...)

Já que este é um diário giselístico online e já que de vez em quando eu o uso como reduto de meus resmungos, vou desabafar:

Nabokov, minha alma, minha lama, mentor e carrasco. Sei que não vou enjoar jamais daquela narrativa gloriosa e redentora, embasbacante e terna,  cheia de lirismo. Nada é pior do que não dominar esta técnica que o fazia único, tão deleitante, divino. Que diabos, a essa altura da minha nojosa  (d)existência estou certa de que eu nunca vou me livrar dessa obsessão nabokoviana. O que eu sinto não é inveja, não é apenas admiração, idolatria.  Poucas coisas são piores do que essa sensação. Se eu tivesse vergonha na cara, nem que fosse um pouquinho, esqueceria que existe Nabokov, e  não leria mais nenhum livro dele. Qualquer um que me fizesse o que ele fez, todo o mal e todo o bem, mereceria uma bela temporada no inferno dos  escritores (ou seja, aqui em casa, cercado por todo o tipo de gente horrenda e ultra-inculta que pensa que Nietzsche é uma banda de heavy metal).

Mas, enfim, com Nabokov... é diferente. Eu deveria ter raiva dele, muita raiva, mas não consigo, só consigo me contorcer de dor e de inveja e de  admiração toda vez que remôo qualquer coisa que ele tenha escrito. Claro que me sinto grata por tudo o que ele me fez. Sem Vladimir Nabokov  definitivamente não existiria DeXistência, não existiria uma Giselly Greene publicável, não existiria mais essa obra-prima máxima para a merda da  humanidade, resquício do ultra-romantismo do final do século 19 transposto em pleno XXI, lágrimas de vidro, espinhos sem flores, balas de chumbo em  latas de aço, minissocos nas almofadas, aaaahh!...

Se bem que isso não tem importância alguma, porque eu não tenho importância, muito menos meu livro, por mais magnífico que ele seja. Nada  realmente importa se vamos todos nos dexistenciar (por favor, o quanto antes, por favor...), e se tudo o que restará será apenas um estranho gislivro  muito bem-escrito por alguém que há muito jazia irremediavelmente morta.

Oh... tivesse eu lido qualquer livro dele antes que me algemasse a Literatura, tudo teria sido diferente e eu teria desistido enquanto ainda havia tempo. A  lógica me diz: "Se existiu um escritor como Nabokov, o maior de todos (maior até do que o exímio Somerset Maugham), que escrevia com uma  naturalidade e destreza incomuns até para seres extraterrenos, então não precisa existir mais ninguém. Está tudo acabado, ele foi, é e continuará  sendo o melhor. Sua suposta futura carreira já era, haha." Faz sentido, não há como discordar disso. A escrita dele era tão fascinante, ultraperfeita,  maravilhosa, absolutamente incrível, que me deixa paralisada, mas não significa que eu não deva escrever também. Tantos livros ruins já foram  publicados em toda a História da maldita humanidade que me parece que eu também mereço um canto aí. Não nos cafundós da Literatura de má  qualidade, com os escritores de quinquagésima categoria, e sim no lugar ao qual sempre pertenci, junto aos escritores de segunda. E não preciso me  desculpar pela minha deficiência de modéstia, pois não sofro desse mal, e também não preciso me desculpar por escrever. A humanidade é ingrata,  fútil, ridícula e destruidora, mas tem uma sorte infernal por ter a mim, por ter XL Grix (como dizem alguns; outros dizem Gika, Gigi, Giseloca), a pessoa  que chegou para reaver o trono surrupiado pela destalentosa e chatérrima Gertrude Stein.



Escrito por Giselly Greene às 15h51
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   MICHELLY DREAKKS: APENAS UM SUBPRODUTO DE VLADIMIR NABOKOV?

Resenha de um lixolivro imaginário

Ler '0 e ½' é, concomitante, um desalento e um prazer. Um desalento porque os multitemas que subsistem nesse romance tão pouco degustável poderiam muito bem constar numa telenovela telerrível qualquer, de uma emissora qualquer, escritos por uma roteirista qualquer [sim, mas quem?]; e, um prazer porque nada é mais agradável, mais deleitoso, mais apetitoso do que gastar alguns gramas de veneno com alguma presa que não apenas o mereça, mas que parece clamar por ele.

Aliás, o título não poderia ter sido mais bem escolhido, apropriadíssimo em sua 'homenagem' ao gênio do cinema italiano e também em relação à nota que ele merece tanto da crítica, quanto do público. O '½', neste caso, seria apenas uma forma de dizer 'Olha, seu livro é péssimo, mas resolvemos dar meio ponto acima de zero porque sabemos que você se esforçou ao máximo para fazê-lo, ok?'.

Sim, eu sei, pode parecer maldoso, mas se você não ouvir meus conselhos e resolver encarar esse desafio tão desabonador, certamente irá se decepcionar. Por quê? Ora, vamos de uma vez por todas aos fatos.

Em contrapartida ao estilo requintado de Nabokov, que Michelly Dreakks tenta pateticamente emular, segue seu requentado michestilo (mixoestilo). Em outras palavras, a impressão que se tem ao ler esse debute michelesco-mixuruca é que a 'autora', em Nabokov, foi buscar inspiração e ficou sem respiração.

Seu estilo pseudonabokovista é por vezes tão criativo quanto pouco cativante, mas acima disso, deve-se admitir que o livrinho tem lá seu charme. O mesmo charme que tem uma velha desdentada cuja barriga chega três metros antes dela a qualquer lugar que vá.

Trata-se de uma narrativa composta apenas por diálogos (looongo bocejo), com inúmeros e pedantérrimos artigos sobre inúmeros e fatigantes assuntos que não interessam a ninguém além dela.

Aliás, ela deve mesmo se interessar por assuntos esdrúxulos como os títulos explicitam: 'Meias Verdades para Serem Usadas em Caso de Esporádica Confusão Mental' (isso é que é auto-ajuda!) ou 'Ah! Nada Como uma Barraca de Água-de-Coco na Beira de uma Temível e Horrorosa Estrada Deserta e Sem Fim...', senão não se daria ao trabalho de escrever algo tão insosso quanto nauseante.

Os ensaios não poderiam ter sido pior desenvolvidos, falta ênfase (a ênfase que precisaria para tornar o troço menos desinteressante), falta informação (cultura geral, hello!), falta tato (destaco um trecho: '...será que ao comentar longamente sobre meus sentimentos a respeito de tooodas as dietas que já tentei – e nas quais irremediavelmente fracassei – não estou sendo nem um pouquinho azucrinante?'), em suma, falta muito talento.

A coitada da autora, não se sabe se por ignorar os fatos (que ficam claros para quem quer que leia algumas páginas deste lixopúsculo), ou se por puro e simples masoquismo, resolveu colocar uma cereja em cima do bolo. Sim, como não bastasse toda a condescendência que gira em torno desta penúria literária, ela adiantou aos pobres leitores sobreviventes, alguns trechos de sua obra seguinte, curiosamente intitulada '(Insira Um Título Aqui)' (glup!).

Ela divaga sobre que assunto assassinará neste novo livro, o que nos deixa ainda mais assustados: será uma compilação, livro-lista dos melhores e piores títulos de livros de que já se teve notícia! Muitas incertezas essa informação nos trará, mas sabemos, intuitivamente, que o título de algum de seus livros estará ocupando o primeiro lugar na tal lista dos piores. A dúvida que permanece é apenas sobre qual será o escolhido.



Escrito por Giselly Greene às 15h31
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   MAIS UM GISRETORNO

E não é que a detentora da verdade suprema está de volta?

E não é que ela sentiu muita falta dos seus imaginários lixonautinhas?

E não é que ela resolveu voltar com mais um lixotexto de inutilidade pública?

Sim, sim, sim!!!!!!!!!!!

E isso significa que já podem parar com a choradeira e com as ameaças de suicídio, pois este antro da literatura pataqueira e tresloucada nunca se desvanecerá.



Escrito por Giselly Greene às 21h34
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   AUTOBIOGRAFIA AUTO-ELOGIATIVA DO TELEVISOR*

"A televisão é um meio. Assim chamada porque não tem princípios, nem fins." B. Ernie Kovals 

Quem, entre todos os seres que habitam esse planeta, poderia algum dia vir a imaginar que do casamento de meras emissões de elétrons com alguns feixes de luz nasceria uma criaturinha tão magnificamente admirável como eu? Eu responderia isso já, mas como vocês terão ainda muito tempo para conhecer os detalhes da minha vida, por hora ignorarei sua avidez por mim e apresentarei meus queridíssimos genitores, começando por meu pai, o Selênio.

Tímido como sempre foi, Se passou grande parte de sua vida seguindo à risca a máxima "Bene vixt qui bene latuit" (seguida também por Descartes, Salinger, Kubrick, Giselly Grix e por outros indignos de nota), até que em 1817 foi obrigado pelo meu vovô, Jacob Kerzelius, a se mostrar ao mundo. Mas a verdade é que, não fosse meu vovozinho ter submetido meu pobre papai a tão afrontosas aparições públicas (um exemplo disso é que, tão logo mostrou-se para o mundo, Se ganhou logo a cruenta alcunha de "Malcheiroso Selênio"), eu jamais teria nascido.

Já minha incandescente mãe, a Luz, sempre foi enérgica e energética, um fabuloso milagre óptico. Como vêem, eu realmente tenho a quem puxar! Muitos devem muito a mim, mas é certo que devem muito mais à minha mãezinha. A senhorita Visão, por exemplo, que permite aos humanos enxergar o mundo (e a mim, o que é bem melhor), não serviria para absolutamente nada não fosse a existência dela. Louis, amigo íntimo da mamãe, me falou que o que mais apreciava nela era sua personalidade instável, ora ondulatória, ora corpuscular, embora nem mesmo ele estivesse tão certo sobre isso, pois já naquela época ela tinha fama de ser mui misteriosa — mas não uma esfinge sem segredo, como muitas por aí, é preciso que se deixe isso bem claro. Pois é, ainda hoje ela mantém a mesma aura de mistério, não mudou nadinha, pois ela mesma me ensinou que não há por que mudar se tudo estiver indo bem.

Já nasci revolucionário, distinto, no início da deliciosa década de 1910 — apesar de que minha gestação demorou um bom tempo, vindo desde o longínquo 1873, com os estudos sobre células fotoelétricas emprendidos pelo Jim, um dos meus anjos da guarda, quase tão importante para mim quanto Campbell, Henrik ou Karl, pessoas que também tornaram possível o meu nascimento, cada um a seu modo.

Alguns consideram que minha gestação foi demorada (fato com o qual não posso concordar nem discordar, já que fatos existem unicamente para que nos frustremos ao fracassarmos nas tentativas de entendê-los, e não para que concordemos ou não), o que é verdade, mas isso não vem a ser um problema. Ora, nenhum ser minimamente racional poderia esperar que se criasse uma das mais importantes obras-primas da humanidade por dia, até porque, mesmo que isso fosse possível, eu não seria hoje considerado como a maior das invenções humanas de todos os tempos — inclusive, tomando o lugar da pretensiosíssima roda, que teve de se contentar com uma segunda colocação bem distanciada, a constar.

Bom, como eu ia dizendo antes de ser bruscamente interrompido por mim mesmo, logo que cheguei a esse mundo, no intuito de embelezá-lo (pois ele bem que estava precisando, embora não tanto quanto nos dias atuais) eu era o mais novo sonho de consumo de 11 entre 10 seres humanos. Até então, ninguém tinha ainda presenciado espetáculo igual, que dirá parecido. Eu estava não apenas anunciando, mas inaugurando uma nova era de sonho que há muito se perdeu, e o fiz com maestria. Ímpar como só eu poderia ser, sempre levei sorrisos onde quer que eu tenha ido e jamais alguém dotado de bom senso e/ou senso de justiça dirigiu a mim qualquer palavra mal-educada, muito menos ofensiva. Não importa o grau de ignorância e descaso com que os homens costumam tratar a si e aos outros, mesmo quem poderia com razão encabeçar a lista dos espíritos de porco fala bem de mim e mal consegue conter o êxtase ao me avistar, mesmo nas ocasiões mais tristes e difíceis. Não há o que contestar, eu vim ao mundo para alegrar os lares, do mesmo modo que lindo bebezinhos vêm para nos importunar.

Ah, acaso esteja curioso a respeito da real necessidade desses auto-elogios que a muitos podem parecer excessivos e sem validade, aí vai uma explicaçãozinha que lhe elucidará sua mente anti-televisiva. Primeiro, quem melhor do que o próprio televisor para elogiar-se, hein? Cada elogio vindo de mim mesmo é comprovadamente verdadeiro, pois é correto que ninguém me conhece melhor do que eu mesmo, logo, não resta espaço para dúvida.

De fato, eu sou tão desumanamente maravilhoso que, mesmo nesses tempos conturbados de revolução tecnológica, eu não perdi espaço — como muitas más línguas que não passavam de arremedos mal-acabados de Nostradamus disseram. Não, não, não, muito pelo contrário, ganhei ainda mais espaço do que já tinha, e que era bem mais do que eu precisava, embora fosse bem menos do que o que eu mereço.

Enfim, não só modernizaram meus sistemas de funcionamento (introduzindo novos modelos com telas de cristal líquido ou de plasma, para substituir meu querido tubo de raios catódicos), como também me deram novas funções. Isso sem falar no modo como me disseminei, não como um mero modismo, mas como as calças jeans, sempre atuais.

Os incautos devem se perguntar como eu consegui tão longo alcance. Pois bem, explicá-lo-ei em pouquíssimas palavras, para que não digam que não me faço entender: o segredo do meu sucesso não é segredo para ninguém, é que eu simplesmente tenho a melhor relação custo-benefício não apenas do mercado de eletroeletônicos, como de todos os outros. Aliás, no meu caso, a expressão correta seria relação valor-benefício, pois apesar de custar pouco, eu valho muito. 

* Texto dedicado ao Billy Corgan que, assim como a Gigi, não assiste televisão; e extraído do gislivro e-maginário "Panegírico do Televisor".



Escrito por Giselly Greene às 21h32
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   A CHAVE DO INSUCESSO

Antiguia lixesco de como se comportar em entrevistas empregatício-nojosas

Vejam só, lixonautinhas, um lixotexto gentilmente cedido por um simpático ser extraterreno, chamado ZT3625728, que nos visitou a pouco tempo. Durante sua longa temporada por estas bandas, ele tentou várias vagas de emprego, mas não conseguiu nenhuma e por isso me enviou uma descrição pormenorizada das entrevistas das quais teve o infortúnio de participar, para que eu (oh, céus, justo eu!!!) apontasse o que ele tinha feito de errado.

Analisando suas respostas, vi que ele nada tinha feito de errado e que errados estavam esses humanos nojosos com os quais ele se defrontou. Mas, ainda assim, apontoei seus erros. Ei-los.

Ah, esses entrevistadores chinfrins, os troços-ruins do RH, as bestas-humanas mais odiosas do planeta... Fingem querer que sejamos espontââââneos como pipoca doce, mas na verdade querem apenas alguém para acatar suas ordens egoísticas. Mas, você tem sorte por ter a mim, uma pessoa com um coração enorme e que nunca deixa de ajudar os pobres de espírito como você.

A seguir, uma libertária lista com as perguntas prediletas dos selecionadores idiotas, as respostas que eles querem ouvir de você e as respostas que você lhes deveria arremessar.

Pergunta Idiota Mais Freqüente: Por que você quer trabalhar nesta empresa? 

Resposta Padrão: Diga o que disser, nunca diga que o motivo é apenas desemprego. Se ele quisesse ouvir a verdade, dedicar-se-ia ao estudo da vidência ou da ufologia.

Resposta do ET: Não quero. Trabalho é para trouxas.

PIMF: Onde você quer estar daqui a cinco anos?

RP: Evite divagar e atenha-se aos seus planos profissionais. Ele não quer saber de que cor será sua Mercedes imaginária. 

RET: Onde quero estar não importa, e sim as chances que eu tenho de chegar lá. Se eu tivesse futuro, ou soubesse como ele será, não estaria aqui tentando esta vaga, e sim numa barraquinha lendo mãos. É óbvio (a todos, menos a um parvonáceo como você) que quero estar em melhores condições, mas infelizmente, o sucesso independe de competência ou inteligência. Para ser bem-sucedido, é preciso muita sorte e carisma, duas coisas que infelizmente uma pessoa nesta sala parece ter.

PIMF: Por que você se desligou da empresa anterior?

RP: Não fale mal da empresa ou do antigo chefe! Não seja burro, eles não vão querer que você fale mal deles quando for chutado. Geralmente preferem que você faça isso durante o expediente. 

RET: Diga a verdade, mas não vale pedir desculpas depois, viu? Ah, e tenha em mente que eles só querem contratar alguém (não necessariamente você) para poder demitir o mais depressa possível.

PIMF: O que fez nos trabalhos anteriores?

RP: Diga o que sabe fingir fazer e apresente resultados em forma de infindáveis exemplos.

RET: Faltei 500 milhões de vezes; cheguei atrasado nas poucas vezes em que compareci o trabalho; e fofoquei durante toda a jornada.

PIMF: Qual a sua avaliação sobre a última empresa onde trabalhou? E sobre o seu chefe?

RP: Concentre-se nos fatos profissionais (vulgo: "sua versão da história"), sobretudo se foi demitido. Ah, e não ofenda ninguém. 

RET: Oh, merda, o que estou fazendo aqui???????

PIMF: O que seu último chefe ressaltaria como suas qualidades e limitações? 

RP: Oculte seus pontos fracos e estenda-se sobre suas falsas qualidades. É isso o que eles querem, mesmo que digam o oposto.

RET: Como raios espera que eu saiba o que se passa naquela mente doentia? O cara era um sádico, como todos. 

PIMF: Você consegue trabalhar sob pressão? 

RP: É importantíssimo que você deixe claro que sabe fazer a coisa mais boba e que qualquer imbecil descerebrado sabe fazer.

RET: Se eu disser que sim (eu sei que é o que você quer ouvir, mas saiba que não te darei esse gostinho, babaca), você não vai acreditar, pois provavelmente acha que eu sou apenas mais um robozinho, como todos os seus malditos súditos. Se eu disser que não, pode até ser que você goste da minha desvairada sinceridade e me contrate. Mas, por outro lado, posso ser imediata e indesculpavelmente desclassificado. Traduzindo, esta é mais uma pergunta que você jamais deveria ter incluído em seu parco repertório.

PIMF: Você tem iniciativa?

RP: Dê exemplos bobos e ilusórios e procure falar com a mesma entonação ultra-articulada e ultra-irritante dessas malditosas operadoras de telemarketing.

RET: Responder a esta perguntinha ridícula seria como responder se sou competente ou qualquer outra merda dessa. De que adianta eu dizer que tenho iniciativa? Não é algo que se diga, mas que se demonstra. Se quer mesmo uma resposta a isto, me contrate e tire suas próprias conclusões, se é que você é capaz disso. (cuidado para não se overdosar de sarcasmo) 

PIMF: Qual o tipo de profissional que você admira? Qual você não admira?

RP: Desonestidade é o caminho, concentre-se só na primeira questão e não dê nomes aos bois quando for falar mal dos ex-chefes.

RET: Permita-me reformular esta mal-formulada questão: Que atitudes você gosta que sejam tomadas em tais situações. Era isso o que você queria dizer, não diga que não. Você deveria ter incluído alternativas, aí eu poderia tentar responder ao menos esta sem ter que tirar uma com a sua cara.

PIMF: Quantas horas você pode trabalhar?

RP: Saiba que é comum que a empresa pergunte sobre hora extra, portanto, se você for uma pessoa muito ocupada para perder seu tempo na labuta, é hora de mentir. Paciência, pois a hora de mostrar as garrinhas logo chegará, quando você estiver trabalhando. Fazer o quê? Eles preferem que seja assim.

RET: Se eu disser que estou a seu completo dispor 24 horas por dia, inclusive sábados, domingos e feriados, você irá pensar que não passo de um exímio desocupado, que não tenho vida própria, que estou mentindo ou tudo isso junto e usará isso como desculpa para não me contratar. Mas, se eu disser que não tenho saco para trabalhar como um escravo ou como um azarado burro-de-carga, você não irá me contratar. Parece-me que sua única forma de diversão é constranger as pessoas. 

PIMF: E se o entrevistador fizer perguntas pessoais?

RP: Fuja do assunto. Como? Ah, se vira.

RET: Só responda se ele responder primeiro. 

PIMF: Qual o último livro que você leu ou filme a que assistiu?

RP: É evidente que o entrevistador continua sendo intrometido, não dá mais pra negar. É hora de tagarelar, então pare de perder tempo.

RET: Se sua maldita intenção é saber se eu sou um alienado, deveria ter perguntado qual o meu filme e livro prediletos. Quando você vai aprender, hein? 

PIMF: Quanto você espera ganhar nesse cargo?

RP: Retirada pela esquerda! Mude de assunto.

RET: Quanto você esperava ganhar no seu?

Ah, quem dera fossem só as perguntas... Os candidatos a qualquer vaguinha ridícula (especialmente as do topo da lista das hiper-ridiculosas, como atendente de telemarketing ou vendedor externo) geralmente têm que aturar bem mais que isso. Querem que você "demonstre seus pontos fortes, mesmo que não faça parte das perguntas, mas espere o momento propício". Ora, e se o tal momento propício nunca chegar? Alguém se habilita? 

Quanto à impalpável regra de olhar nos olhos do entrevistador, tenho a dizer que fazer isso só dificulta ainda mais a vida do candidato. Como ele vai mentir com toda a astúcia necessária se estiver mais preocupado em encarar o songomongo do entrevistador? E outra: "Tenha sempre um sorriso nos lábios". Daí para se tornar um palhaço de circo só vai faltar mesmo a canção no coração, e claro, o nariz vermelho. Qual é? Com essa cara de besta, a auto-estima mais baixa que a cotação do dólar, enfim, levando uma vidinha de merda, como diabo espera que alguém consiga sorrir? Aí já é pedir demais.

Outra: "Procure chegar 10 minutos antes da hora marcada". Ora, que idiotice! Contanto que não perca a entrevista, para que perder seus preciosos 10 minutos colado a uma cadeira sentindo o popô doer? Afinal, se você chegou antes do troço acabar, então chegou na hora.

Mais outra: "Use roupas discretas e com cores sóbrias." O que eles têm contra pessoas que se vestem de forma diferente da maioria e com o mínimo de bom gosto? Só pode ser inveja por não terem o mínimo de criatividade e autoconfiança que a tarefa exige, não há outra explicação. Bom, há sim: querem ter a ilusão de poder e acham que se puderem te manipular a ponto de te fazer vestir o modelito imposto por eles, terão você na palma da mão. Tolinhos...

Outrinha: "Não demonstre medo". O troço estúpido fica te olhando com uma cara de Lobo Mau e analisando até o mais imperceptível dos seus movimentos e ainda espera que você permaneça indiferente? É o mesmo que te jogar num rio a -5°C e esperar que não trema de frio! 

Outra: "Cuidado com as expressões 'a nível de', 'né' e 'vamos supor que'." Olha, a nível de suposição, vamos supor que eu acho que você não ia me contratar mesmo, né?

Só mais essa: "Cabeça erguida!". Qual problema de ser nervoso ou inseguro? Nada disso denota incompetência, merda! Aliás, as melhores palestras foram feitas por pessoas que se diziam hipernervosas.

E essa: "Durma bem para manter a boa aparência". É um saco viver numa sociedade que só se preocupa com as aparências. Como podem conceder cargos de poder ou mesmo de nenhum poder a esse tipo de gente? Além do que, o infeliz dorme se quiser (e se conseguir), ou vou ter que aproximar meu punho do seu queixo duplo para que você entenda isso?

Essa é totalmente sem noção: "Afaste-se de pessoas pessimistas." Em 1º lugar: se o candidato for considerado pessimista (mesmo que erroneamente), como ele poderia, mesmo que quisesse, se afastar de si mesmo? Mudando as leis da física? Tsc. Em 2º: mesmo que não seja e queira se afastar de pessoas assim, acha que conseguiria? E mais: se conseguisse, em que isso o ajudaria? Em 3°: acha que alguém faria isso só porque um infeliz qualquer atrás de uma mesa "acha recomendável"?

Olha essa: "Aperto de mão fraco é sinal de falta de firmeza". Ah, tá. Se isso é verdade, então também é verdade que a Mich Dreakks é a mulher dos sonhos do Kyle Chandler.

A última: "Procure fazer exercícios físicos para manter a boa forma e a auto-estima". São motivos ótimos, mas não o bastante para que alguém tenha saco para fazê-los.

Que fim levou ZT3625728?????? Oras, o pobrezinho, revoltado, retornou a seu planeta litosferiano o mais depressa que pôde, a fim de submeter-se a um intensivo tratamento de esquecimento. Disse-me, na despedida, que nunca mais retornaria a este planetinha chinfrim e que merecia o pior dos castigos por ter algum dia acreditado que esse fosse um lugar razoável para se viver. Pena que este castigo é aplicado até mesmo àqueles que jamais escolheram coisa alguma.



Escrito por Giselly Greene às 13h36
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   MAIS SEMIPLÁGIOS MUSICAIS!!!!!!!!!!


» "Nuestro verano", do fantástico El mató a Un Policia Motorizado = "Prosthetic Head", Green Day e tão superótima quanto;
» Isso sem falar que sua espacialíssima "Rock Espacial" é irmã-gêmea de "She don't use jelly", do Flaming Lips;
» E mais plágios do Policia Motorizado: sua "Prenderte Fuego" = "Feel the Pain", do Goldfinger;
» E, como não bastasse isso tudo, milhares de músicas dos matadores do "polícia motorizado" ainda exala muito dos melhores momentos do Wedding Present (a banda que nunca teve momentos ruins);
» Autosemiplágiozão do Elvis Costello: "...This Town..." = Clowtime is Over". Mas ele pode, só ele é assim;
» "Should I Stay or Should I Go", do Clash = "Less Than Zero", do Elvis Costello;
» "Sun is Here", do Sun = "Screw", do The Cure;
» "Musterion", do Joe Satriani = "A Reflection", do The Cure
» Autoplágio pumpkiano: "East" e "Rhinoceros";
» A faixa "Admirável Mundo Novo", do excelente Sestine deve ter sido baseada na também belíssima "Black Star", do Radiohead;
» "Olhar para trás", do Cromonato, tem riffs guitarrísticos idênticos aos da clássica "Summer", do Buffalo Tom, e até mesmo a entoação como a música é cantada.
» "Till the end of the day", do Big Star = "Anyway anyhow", do camaleãozíssimo;
» "Boo Boo", do novíssimo disco do Wedding Present = "Rhinoceros", do Smashing Pumpkins;
» "The Forest Green", do Yo la tengo, lembra bastante "Envelheço na Cidade", antigo sucesso do Ira!. Ou talvez tenha acontecido o contrário, já que ambos os discos que contêm essas músicas ("Ride the tiger" e "Vivendo e não aprendendo") foram lançados em 1986;
» Autoplágio do fofo Ron Sexsmith: "Think we're lost" e "Nothing good";
» A instrumental “5.20.22” do excelente Girls in Hawaii = “Henry Lee”, do Nick Cave;
» E a nova do novo da Isobel Campbell, agora em parceria com o Mark Lanegan não poderia ficar fora dessa gislista. Sua pulcrésima "Who built the road" é muuuuiiiito "Henry Lee", da dupla Nick Cave & Polly Harvey e muuuuiiito melhor do que esta. E não digo isso apenas por se tratarem ambas de duetos, mas sim porque até o jeito como cantam é igual;
» De novo o Tom Tom Club, mas dessa vez sendo plagiado pela Cyndi Lauper, que em seu disco novo mandou "Into the night life", que é muito parecida com "Wordy Rappinghood". A propósito, esse disquinho dela, "Bring ya to the brink" é ruim de doer (só se salva mesmo a última faixa, uma canção leve e linda, "Can't Breathe", em que ela quase nos convence de que é uma cantora de verdade. Já o restante do disco é plágio da Madonna, com tudo o que isso tem de ruim) e mostra que ela ainda mantém a mesma breguice sem-estilo que tinha nos anos 80, para o mal e para o mal...
» E quem poderá desmentir que a chiquérrima "The Sea of Tempest", do Hiro Yanagida, não alude, em forma homenageativa, a "Riders on the Storm", do Doors?



Escrito por Giselly Greene às 03h24
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   A ÚLTIMA LISTA DE SEMIPLÁGIOS MUSICAIS!!!!!!!!!!!!!

A última até que a Gis Greene faça outra!!!!!!!!!!!

» O Feeting Joys, cover do My Bloody Valentine, demorou, mas resolveu aparecer nessa lixolista: sua bela "Lovely Crawl" é idêntica a "Come in Alone", especialmente nas re-repetições e nos vocais sussurrados e indistinguíveis. Isso sem falar que sua "Go and Come Back" parece cópia do megahit "Only Shallow";
» "I won't back down", do supersupersupergrupo Travelling Wilburys deve ter inspirado Black a compor "I Can't Forget", dos Pixies;
» Ainda sobe os Pixies, um autoplágio pra desenferrujar: "Gouge Away" = "Debaser", e vice-versa;
» Autoplágio The Verve: As lindaças "The drugs don't work" e "Sonnet" são quase o mesmo elemento, se bem que todas as canções do Verve são assim... Ouviu uma, ouviu todas.
» "Love Sick", do Bob Dylan, frequentador assíduo deste lixoblog = "Alabama Songs (Whiskey Bar)", do Doors;
» "Talk", que tem clipe astronáutico, do "oasiano" Coldplay, isso, aquela, é plagiozão de "Open", do Cure;
» Autoplágio do Queen: "Another one bites the dust" = "Need Your Loving Tonight";
» O excelente refrão de "Kiss off", do Violent Femmes, deve ter inspirado diretamente a faixa-tema da divertida teenserie australiana "Mudança de Vida";
» "Beautiful One", do Smashing Pumpkins rememora seu antigo ultrahit "Disarm";
» "Mama", do Stephen Malkmus = "All apologies", do Nirvana;
» Falando no Malkmus... Ao final de sua “Trojan Curfew”, tem um solo de guitarra que anteriormente foi utilizado por sua antiga banda na douradíssima “Gold Soundz”;
» "Bring on the dancing horses", do Echo and the Bunnymen, deve ter inspirado a lindosa "Imaginary Friends", do sempre excelente Ron Sexsmith, especialmente na entonação com que é cantada;
» "Downstream", do Ocean Colour Scene = "With a little help from my friends" (dos Beatles) na versão do Joe Cocker;
» "Velha história", do Neo = "Kiwi maddog 20/20", do sempre reluzente Elliott Smith;
» Essa deveria ter entrado em outra lista, mas vai nessa: A linda "Beauty", do James Iha = "There she goes", do Velvet Underground.


Só pra não perder o costume, uns semiplágios videocliposos:

» A primeira metade do clipão de "We're No Adult Orientated", do fantástico Stereolab é puro "Open Your Eyes", do Snow Patrol; já a segunda, tem os refletores de "Cherub Rock", dos Smashing Pumpkins. Ecos kerslakianos...
» "Uma Canção é Para Isso", do Skank tem um clima de redenção através música, mesma temática usada no clipe de "Just My Imagination", dos irlandeses do Cranberries. Ah, e ambos são coloridíssimos e mega-ensolarados;
» "Rock of All Ages", do Badfingers = "Paranoid", do Black Sabbath;
» Falando no Sabbath... "I'll be there for you", do onehitwonder Rembrandts, é idêntica ao início de "After Forever".



Escrito por Giselly Grix às 23h01
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   A PRIMEIRA DOSE DA ALCOOPOP

Resenha do demodisco "Lixúria" (2008)

Chega-se ao fim da etapa fermentativa da AlcooPop e, com o início da autólise, inicia-se também o período da maturação alcoopopística. Estranho e errôneo seria dizer algo assim a respeito da demo de estréia de uma banda que tem menos de dois anos de existência, mas não neste caso. Isso porque todos os alcoopopenses vêm de outros projetos da cena alternativa brasiliense, como Conflito Permanente, Hartripe, Arsênio, e muitos outros. E, evidentemente, foram exatamente essas experiências passadas que contribuíram para modelar esta demo lixuriante.
"Lixúria", lançada agora em setembro, é composta de oito faixas e, numa análise química, se equilibra bem entre a acidez e o teor alcoólico. Foi gravada no estúdio Spelunka, em Brazlândia (assim como o primeiro videoclipe da banda, da excelente “2003 Ausências”), e sua qualidade sonora está muito boa. Detalhes técnicos geralmente põem a perder as boas intenções e, felizmente, esse não é o caso da AlcooPop, como se ouve neste primeiro trabalho, por isso, jogue fora seus canudinhos de plástico, escolha uma das taças e prepare-se para a degustação.
"Esqueça o Que Eu Digo", a faixa de abertura, totalmente instrumental, preza pelas alternativações das rifferamas e ainda consegue ser facilmente degustável. Algo a se considerar, é o rock alternativo fundido com o pop nada comercial, características essas que recendem por todo o álbum.
Dando seqüência ao ritual sônico alcoopopístico, a temperatura de serviço indicada é ditada pela frialdade das batidas flebópteras de faixas como o hit alternativo "Nebuloso", que perdeu em sua letra o que ganhou em graduação eletrônica, descaracterizando por completo a canção, tornando-a quase irreconhecível se comparada à primeira versão. O único ponto baixo do álbum.
"Por Um Momento" tem uma bateria onipresente que dá destaque aos efeitos eletrônicos e às alterações guitarrísticas. Com excelente refrão e levada quase dançante, é forte candidata a hit, embora isso não seja importante - a não ser para acrescer público.
Num rápido julgamento de reconhecimento, podem-se sentir ecos de "Beautiful One" (que eu nem preciso dizer de quem é) na otimíssima "Eu Te Quero Bem, Meu Bem" e também homenagens aos heróis, como a encontrada em "Como Um Louco", em que Joy Division encontra Pixies e Jesus and Mary Chain, quase uma remanescente do shoegaze - rótulo este que ameaçou voltar em 2005 com Fleeting Joys e Silversun Pickups.
"2003 Ausências", a pungente doçura dos soluços do penitente, perfeita, circularíssima em seus quase cinco minutos mágicos. Sem groguices lentejoulantes, deslocamento, aflição embutida, desorientação, vae soli... Altamente aderente.
"Into the Jail" é outra que, assim como “Esqueça o Que Eu Digo” avoca sua veia guitarrística, faixa fortificada, tal como um xerez amontillado, para “apavorar os céticos”. Ela está aí para dizer que não parece, mas é.
A faixa "45º", com sua letra quase tão nebulosa quanto a do hit "Nebuloso" e com alto grau de aderência, vem por último para nos acordar e para encobrir ainda mais a obliqüidade dos sentimentos humanos. Sua “linha do tempo” quase não oscila, mas se modifica gradativamente, indo do pós-punk ao neoprogressivo com grande destreza. Um ponto altíssimo entre vários neste disco lixurioso.

Origem: Brasil
Região: Brazlândia
Tipo: Lixúria
Safra: 2008
Produtores: Anderson 'Pinky' Ceciliano, Karina Marques, Klans Otoniel, Marcelo Dias
Composição: "Esqueça o Que Eu Digo", "2003 Ausências", "Nebuloso", "Into the Jail", "Por Um Momento", "Eu Te Quero Bem, Meu Bem", "Como Um Louco" e "45°"
Período de persistência: de alguns meses a vários anos
Harmonização: Receitar acompanhamentos seria supérfluo, até porque o "Lixúria" só não combina com parvonáceos.
Avaliação: 85 pontos

Escrito por Giselíssima às 11h55
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   MAIS SEMIPLÁGIOS MUSICAIS!!!!!!!

LITERALIXO
Mais do que um blog, um subestilo de semivida: um gisretorno para não se comemorar.

» A deliciosa "All luck ran out", do ótimo Sondre Lerche remete a "Bittersweet Bundle of Misery" do Graham Coxon (que por sua vez já apareceu por estas listas plagiante-gislescas) e ainda tem ecos de "Coffee and TV", do Blur. Aliás, tem Blur demais no indefectibilíssimo disco de estréia desse garoto, ("Faces Down", lançado em 2002), especialmente na faixa "Dead Passengers". Ainda falando do Lerche, sua versão de "Let my love open the door" (cover bonitaça do Pete Townshend) tem um trecho que lembra "American Pie", do Don McLean e é muito mais bonita que a original;
» "Screw", do Cure é irmã da redondola "Genius of Love", do Tom Tom Club, e não só porque ambas tem ritmo ensolaradíssimo, mas também porque as letras coincidem;
» E por falar neles, o grupo dos ex-Talking Heads se autoplagiava mais do que o Zappa, e a prova mais clara disso é sua "Wordy Rappinghood", idêntica à supracitadíssima "Genius of love";
» Autoplágio do Billy Idol: "Eyes Without a Face" = "Don't Need a Gun", dos Charlatans. Incrível! É a primeira aparição do Idol numa gislista denunciativo-pseudosemiplagiante;
» "All Because of You", do U2 = "Blue Sky Mine", maior hit do Midnight Oil;
» Certo trecho de "Rebellion (Lies)", do Arcade Fire é puro "That's Entertainment", do Jam;
» "Mesmo que Mude", da Bidê ou Balde, é muito parecida com "So Alive", do Ryan Adams;
» "To Love Somebody", dos Bee Gees, se parece muito com a também lindíssima "Till There Was you", dos Beatles;
» "It's now or never", do Elvis Presley, se parece com a zappianíssima "Go cry on somebody else shoulder"
» "Não Viva em Vão" do horrorosentoso Charlie Brown Jr. lembra demaaaaais "Stay the Same" do Idlewild;
» "Angel of Harlem", do U2 = "Like a Rolling Stone", do Bob Dylan;
» E parece que Tom Delonge pegou a lindaça "There is", de sua ex-banda, o Blink 182 para fazer sua ótima "Everything is Magic", do Angels and Airwaves;
» "Punish me with kisses", do Glove, lembra um pouquinho "Endlessly", do John Foxx;
» "Niagara" do Wedding Present lembra muito "Andrea Doria", da Legião Urbana;
» Falando neles... "A Canção da Guerra" tem praticamente as mesmas batidas de "Loveless", do New Order. Quem leu as outras listas sabe que não foi esta a primeira vez que isso aconteceu.
» A Legião bebeu da fonte de "Fly", do Nick Drake, para fazer sua "Vinte e nove";
» "Neighborhood #3 Power Out", do Arcade Fire é idêntica a "Temptation", do New Order;
» Do Calexico, a banda que já começou acústica, sua bela "Two Silver Trees" presta tributo a um monte de coisas: tem as batidas de "Kiss them for me", do Siouxsie and the Banshees; a leveza de "Warming Sun" e os vocais sussurrados do Grandaddy e especialmente a Tom Tom Club, em sua "Wordy Rappinghood". Isso sem falar que a versão de "Love will tear us apart" que o Calexico fez ficou sem-graça, muito aquém o que se esperava.
» E o George Harrison, tinha que ter feito ao menos um autoplágio: "What is my life?" = "My Sweet Lord". Fazer o que, ele bem que podia;
» "Flying", do Secret Machines = "Numb", do U2;
» Pastels emula "Dreaming", do Blondie, na belíssima "The Viaduct", com a nada sutil diferença de que a "cópia" aqui é mil vezes superior à original, em mais uma prova de que o Blondie jamais serviu para nada e que, acaso nunca tivesse existido, não faria a diferença;
» Autoplágio Pixies: "Monkey gone to heaven" = "All over the world";
» "Sépia", faixa do disco epônimo do Lafusa, lembra em algumas partes "El Scorcho", do Weezer, o que chega a ser engraçado, já que a banda dos NERDs mais queridos da galáxia não tem tanta influência no som do Lafusa;
» E o Sufjan Stevens? Sua pulcríssima "In The Devil's Territory" é super Pastels, "Windy Hill";
» "Tudo bem", do The Pro, tem as mesmas guitarras de "You only live once", dos Strokes. Ah, tá, como se fosse a única...
» Autoplágios do Radiohead: "Lurgee" = "Creep"; "There, There" = "Blow Out";
» "Let's take a trip together", do fantástico Morphine = "If i had changed my mind", do também fantástico Tom Waits;
» "Luka", da Suzanne Vega originou-se de "Gypsy", do Fleetwood Mac";
» Autoplágio do Dinosaur Jr.: "They always come" provém diretamente da indefectível "Feel the Pain".

Escrito por Giselíssima às 15h15
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   A ÚLTIMA LISTECA GISELÍSTICA DE SUPOSTOS SEMIPLÁGIOS MUSICALÍSTICOS

É realmente a última lista, do último post deste blog lixesco que sempre veio em último lugar. Adeus para sempre, abstratíssimos lixonautinhas.


» "Cracked Actor", do Bowie parece ter sido inspirada em "Rock and roll", do Led Zeppelin;
» Ainda ele... O início da fabulosa "Princesa", do Ludov, lembra bastante "Prettiest Star";
» E mais Bowie: os saxofones da deliciosa "Right" remetem a "Young Americans";
» "Nada de mais", do Monno, tem um solo vindo diretão de "Frequency", do sensacional Valv;
» E essa mesma "Frequency" faz leve alusão a "Andrea Doria", da Legião Urbana;
» Olha só, a Legião fez alusão a "A Forest", do The Cure, em seu ultra-hit "Ainda é Cedo"; isso sem mencionar as incríveis semelhanças, especialmente no refrão, existentes entre  "Angra dos Reis" e "The Game", do Echo and the Bunnymen;
» Ainda falando da Legião, sua "Fábrica" deve ter sido inspirada na cureosa "Accuracy";
» Sendo praticamente da mesma época a reluzentíssima "What I Noticed", do ensolarado Tangerine Poetrees e "The hall of mirrors", do Louis XIV, fica difícil dizer quem inspirou quem aquele pianinho inicial. Provavelmente ninguém;
» O primeiro clip-hit da carreira do Audioslave pode muito bem ter sido tirado de "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin;
» Autoplágio cureoso: "It's Not You" é idêntica a "Object", ou vice-versa - já que ambas constam no Three Imaginary Boys, lançado em 1979;
» A deliciosíssima "Black Steel", do Tricky, guarda incríveis semelhanças com a ótima "The Noise of the Carpet", do Stereolab;
» Há muito a se reparar também entre a fabulosa "Shake it Up", do Cars e "Head On", do Jesus and Mary Chain;
» O início de "Cada Vez Mas", do sensacional Fun People remete a "If you want my love", do Cheap Trick;
» "Dizzy Miss Lizzy", dos Beatles = "Twist and Shout", de Medley e Russell;
» Falando neles... "Rock and roll with me", do Bowie provém da classicaça "Across the Universe", dos Beatles;
» A perfeitíssima "Your Skies Are Mine", do Charlatans tem o mesmo compasso da chatola "Give Peace a Chance", do John Lennon;
» "Long hot summer", do Style Council é irmã de "Better things", do Massive Attack, especialmente se considerarmos a versão do Portishead;
» Ah, isso me lembra que essa mesma e ultramaravilhosa "Better Things" está associada a "This is Hardcore", do Pulp, que por sua vez, tem também um pouco de "Life on Mars", do Bowie;
» Falando nele, sua "The Beauty and the Beast" pode ter sido derivada de "It's only rock and roll", dos Stones, que inspirou tantas outras;
» "When demons win", do Sign deve ter sido baseada em "Bodies", do Smashing Pumpkins;
» O clima praieiro de "Blue Moon", do Dylan, tem muito a ver tanto com a já citada noutra dessa gislistas, "Sleepwalk" (Santo and Johnny) quanto com "Earth Angel" (Platters);
» Autoplágio dylanesco: a classicaça "Hurricane" remete a outra, lançada de dez anos antes: "All Along The Watchtower";
» Isso me lembra também que o refrão de "Po'Boy" é puro "Moonlight", ambas do disco "Love and Theft";
» "Make me Bad", do KoRn remete a "Snake Eyes and Sissies", da banda-gêmea Marilyn Manson;
» "I've Seen All", da duplíssima Yorke-Bjork provavelmente surgiu da arrebatadoríssima "Stella Maris", do Eisturzende Neubaten;
» O início da bonitaça "When will you come home", do Galaxie 500, lembra o refrão de "Run", do New Order. E esta não foi a única que o Galaxie pegou do NO. É também fato inegável que sua belíssima "Fourth of July" remete a "As It Is When It Was", do melhor disco neworderesco;
» Mas o New Order deve ter se inspirado em "Kiss Them For Me", do Siouxie and the Banshees para compor sua "Everyone Everywhere";
» A rollingstoniana "Beast of Burden" remete a deliciosa "Eat that question", do Frank Zappa;
» Falando no malucão, sua "Nanook rubs it" parece até gêmea de "Don't eat the yellow snow".



Escrito por Giselíssima às 19h57
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   UEBA, MAIS SEMIPLÁGIOS MUSICAIS!!!!!!!!!!!!!


» "Apache", dos Jet Blacks = "You're Probably Wondering Why I'm Here", do doidão Frank Zappa;
» E, por falar nele, sua "Advance Romance" remete à "I Want You (She's so Heavy)", dos Beatles;
» Ainda sobre ele: O maior trash-hit dos 80, a manjadaça "Você não soube me amar", da Blitz, é puro "Brown shoes don't make it", com a diferença de que a música do Zappa tem milhões de variações ultraloucas em seus ultraviajantes 7min30 de duração e essa outra é de uma pobreza e mesmice inacreditáveis;
» "Bodysnatchers", do Radiohead lembra bastante "Frail and Bedazzled", dos meus amados Smashing Pumpkins;
» "You could be happy", do Snow Patrol = "Gling-gló", da Björk;
» Não apenas "I don't like the drugs, but the drugs like me", do Marilyn Manson foi diretamente inspirada por "Fame", do Bowie, como também "Hot hot hot", do Cure;
» Mais um autoplágio bowístico: "DJ" lembra muito "Sorrow", e mais ainda "I Cant' Explain";
» "In My Place", do Coldplay guarda semelhanças com "When the Levee Breaks", do Led Zeppelin;
» "Club Foot", do Kasabian = "A pain that i'm used to", do Depeche Mode;
» "A Time To Be So Small", do Interpol = "Dear Sons And Daughters Of Hungry Ghosts", do Wolf Parade;
» "Forreal", do Okkervil River, tem as mesmas variações que "At Least That's What You Said", do Wilco, pode reparar;
» "Tell Her Tonight" é muuito talkingheadiana, muuuuuuito "Who is it";
» "Kiss them for me", do Siouxsie and the Banshees remete a "The Perfect Girl", do Cure, isso sem mencionar que já foi dito que ela também tem muito de “Groovy Train” do Farm;
» "The Walls Come Trumbling Down" do excelente Style Council, provém de "It's not unusual", do Tom Jones e não é só por causa do ritmo felizão, não;
» "Bleed it out", rapcore dos piores misturado ao electrorock dos bem ruizinhos do Linkin Park remete a "Make me Bad", do Korn;
» Não sei como nunca disse isso, mas a verdade é que a fofa "The Perfect Girl" deve ter originado a resplandecentíssima Friday I'm in Love". E eu me pergunto: Por que eu demorei tanto tempo pra dizer isso, por que?
» Agora, atente para um plágio não tanto de linhas musicais, mas de letras. "Eu vou estar", do malas do Capital Inicial, e até mesmo a fofa "Poprocks and Coke", do Green Day (que consta em outra listinha plagiante gislesca) temmuuuuuito de "The Flame", do Cheap Trick, pode reparar;
» "Anybody wanna take me home" = "Malibu", do Hole;
» Uma fenômeno incrível. Desde os primórdios de sua "carreira" (hihi), Jay Z faz a mesma merda e todos os mentecaptos compram... Seu novo disco, "American Gangster", não poderia ser mais parecido com TODAS as mesmas porcariadas que o pateta metido a gangster já cometeu. Isso facilita muuuuito meu trabalho de vigilante dos plagiadores;
» O vocal do Kaiser Chiefs sempre tentou, sem êxito cantar como Frank Zappa, especialmente nesta chatíssima "The Angry Mob";
» O clipe de "Good Enough", do ultrapretensioso Evanescense, assim como os outros, também é lindo de morrer. De morrer mesmo, e foi baseadíssimo no boníssimo "Demons", da Macy Gray;
» A porcariada "Do it well", novo da imbecilóide-bunduda-que-pensa-que-sabe-cantar (vulgo: Jennifer Lopez), é plágio descaradaço de "I don want to wait" (não tenho certeza se é esse mesmo o título da desgraceira, nem me lembro o nome da cantra que grita essa "música"), tema do abobalhado seriado "Dawson's Creek". E, incrível, a 'versão' da J. Lo consegue ser ainda pior e mais histérica;
» O novo single do Hives Tick Tick Boom é tão igual a nada, tão igual a "Main Offender" e tem clipe arty-explosivo que remete às estranhices de "Do you want to", do FF e de "Closer" do NIN;"

¬ Ah, por falar nisso...

Escrito por Giselíssima às 16h32
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   PLÁGIOS DE VIDEOCLIPES


» "3's & 7's", do Queen of the Stone Age [que tem direção do descoladaço Paul Minor] me deixa confusa. Nem sei o que é melhor neste clipe, se o estilo de filme B ou a música, assustadora de tão fantástica. O único ponto fraco é o 'elenco'. Aquelas modeletes abestalhadas não convencem no papel de garotas más, sem chance. Não fosse isso, o clipe seria perfeitamente perfeito. O melhor de tudo é que remete ao noturníssimo "Attack of the ghost riders", do Ravenettes.
» "Selfish Jean", do Travis, clipe muito bacana com música idem. Plano-sequenciado, mostra um cara vestido com várias camisetas e que vai tirando uma a uma, mostrando assim quase toda a letra da música. Remete ao excelente clipe da excelente "'Goodnight Goodnight", do Hot Hot Heat e ao da chatíssima "D.A.N.C.E.", de um tal Justice (?), que não conheço e não gosto. E todos esses derivam de um só: "Mulher Diaba", clipe ultradescolado do Professor Antena, dirigido por Fábio Mendonça.
» "Fluorescent Adolescent", do Arctic Monkeys, dirigido por Richard Ayoade é quase um "Karma Police" -- ao menos o final. O restante lembra "Another Pearl", de Badly Drawn Boy.
» Panic At The Disco - "But Is Better If You Do": Eta troço ruim! Tentou plagiar o Franz Ferdinand e seu primoroso clipe de "Walk Away" (que rememora o cenas puramente hitchcockianas com primor), tentando, sem êxito, emular o ótimo "De Olhos Bem Fechados", do irrepreensível e imexível Kubrick. O pior é que, além de não chegar nem perto de conseguir, ainda por cima, Shane Drake (cuja mediocridade artística parece estar no mesmo patamar da própria "banda") conseguiu mandar para as cucuias qualquer resquício de bom senso, até porque isso poderia ajudá-lo a fazer um clipe bacana, ah, sim, poderia... E, horror dos horrores, ainda transpôs a nojeira para o nosso mundo insosso, saindo (sem nem mesmo ter entrado) do mundo kubrickiano (misterioso, assustador, estranho) e acabando assim com todas as suas ralas chances de fazer algo que preste a seu simplório propósito. E, pior (ainda mais????), sem querer bancar a puritana, eu desconfio que isso seja só um artifício para colocar em cena uma corja de piranhas seminuas remexendo as ancas na frente de uma pouco inspirada câmera. Isso sem mencionar o mar de meleca que é o escrotíssimo desfecho. Prêmio Framboesa para eles! Até agora fico sem saber que funestice foi aquela, é assustador o quanto são medíocres.
» O clima de pesquisa científica do perfeitíssimo "Little Trouble Girl", parceria do SY com a Kim Deal, remete ao de "Special K", do Placebo. Só que são bem diferentes devido a climão de ação impresso em "Special K".
» "Far cry", novo do Rush, tem a ótima direção de Christopher Mills. Além de talentosos, os músicos continuam chatos como sempre, com a diferença de que agra têm um clipe 'cureoso' como nunca.
» "Heart in a Cage", dos Strokes é muito parecido com o rollingstoniano "Anybody Seen My Baby", tanto no pb quanto na temática (que difere mas, neste caso, parece mais uma semelhança).
» O novo clipe do Udora "Por Que Não Tentar De Novo" é ótimo e caligráfico, me lembrou o clipe de "Anormal" do Pato Fu misturado com o lindíssimo e inesquecível "Rol", do Radar Tantã.
» "Same Mistake", novo do James Blunt e que tem direção forte do ultrafamoso Jonas Akerlund (sim, sim, sim, ele mesmo, Everlasting Gaze, My Favourite Game e por aí vai), é mais um clipezinho que fez escola no jaggerianíssimo "God Gave me Everything";
» O novo do Nine Inch Nails tem várias câmeras de vigilância e um jeitão de "Club foot", do chatola Kasabian [tão chatos e presunçosos quanto os malacafentos do Oasis], Ambos são assustadores, claustrofóbicos, prisionais e soberbos.
» E o Paul McCartney? O primeiro single do novo, "Momy almost full", além de a música ser bem chatinha, se assemelha ao White Stripes também por ser clipe-gêmeo de "Dead lives and the dirt ground", com a diferença que os fantasmas aqui e o ritmo da música é bem felizão.

Escrito por Giselíssima às 16h32
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   PLÁGIOS DE GISDÉIAS

Não, não, não, quem me conhece sabe que não sou de plagiar porcaria nenhuma. Mas, mesmo sem ter porcaria nenhuma publicada, os desgraçados ainda conseguem roubar minhas idéias gisgrotescas. Sim, sim, sim, irei tratar de uma questão seriíssima: o furto de idéias.
Já falei aqui sobre plágios de seriados, de clipes, de músicas, mas ainda não falei sobre plágios de livros. E nem vou falar, mas sim de roubo de idéias. Já aconteceu tantas vezes comigo que eu até já me acostumei, embora não esteja muito acostumada a me acostumar a ser uma injustiçada...
Eu posso garantir que jamais roubei ou tive intenção de roubar quaisquer idéias de ninguém, nem mesmo aquelas que eu deveria ter tido. Vontade não faltou; oportunidade, muito menos, mas eu resisti fielmente! Pena não poder dizer o mesmo de outros seres sem-vergonha por aí. É evidente que já me senti tentada a fazê-lo, mas não o fiz por uma única razão: relutantemente pertenço à classe dos humanos com mania de escrupulosidade. Estar nesse mundo nojoso e ter que "viver" como humano já é uma desgraceira total, imagina bancar um humano com escrúpulos!
Bahh, vamos aos tais plágios.
O gisconto prosopopéico "Morada Capricorniana" estava concorrendo no concurso Guemanisse de Contos e Poesias, mas perdeu, claro. Provavelmente os juízes bobocas pensaram que fosse um plágio do excelente "Gravata", do Caio Fernando Abreu, mas a grande verdade é que eu nem tinha lido o "Ovo Apunhalado" naquela época em que escrevi o meu singelo conto.
E o plot de "O Quarto Verde", drama do Truffaut em que homem passa a cultuar a morte de todos que lhe são queridos? Eu já tinha tido essa idéia antes de ler a sinopse do filme. Essa idéia é minha, assim como aquela que foi usada em um episódio dos Simpsons, sobre cara que está sendo acusado de algum crime hediondo e só uma pessoa acredita na sua inocência, mas ao final, descobre-se que ele é culpado. Eu estava guardando essa para servir de tema ao meu "Pare de Parar", que seria o titulo do troço.
Várias idéias giselísticas já foram utilizadas em episódios de "Seinfeld", minha segunda série predileta em todo o universo [depois de X-Files]. Ah, quer exemplos: no episódio "A Caixa Forte", vemos George tentando romper com uma mulher que não aceita um não como resposta. Ora, essa idéia é puramente giselística, e eu a utilizaria no romance "Adorável Desespero", que já tinha começado a escrever antes de assistir a esse episódio.
O psiquiatra porto-alegrense Guido Rojas, costuma dizer que a psicologia vai terminar na lingüística, porque no fundo todos os problemas psicológicos são devidos a erros na comunicação inter ou intrapessoal. Ora, ora, essa gisteoria vem desde os meus tempos de colegial babaca. Fui eu que a inventei, fui em que a ela dei forma, e ainda assim não posso provar!
Desde que me conheço por gente (maldito dia!), e até antes disso, queria fazer um vídeo com Lego em stop-motion, já tinha até o roteiro. Aí vem o ano 2001, junto com o Michel Gondry e... o irrepreensível clipaço de "Fell in love with a girl",o primeiro de muuuuuuuitos clipes geniais dele. Caí pra trás quando vi! Puxa vida, ele já é tão genialesco, não precisava roubar nada demim... Buáá!
E, por fim, na fantástica série policial "No limite da maldade", teve um episódio sobre um assassino serial piedoso, idéia giselística. Não fosse uma seriado tão bem bolado, com roteiro sempre bem amarrado, personagens bem definidos, atores simpáticos e direção firme, eu estaria resmungando, mas não. Nestecaso, o único, os roteiristas aproveitaram esta gisidéia com muuuuuuuito mais talento do que eu mesma teria feito. Por isso mesmo é que eu estava guardando essa idéia já havia um mau tempo, justamente por não saber como utilizá-la a contento. Sei que, se eu tivesse escrito algo com este mote, teria originado uma bela lixeba.
Por falar em lixeba, "A casa do lago", filme mediano estrelado pela Sandra Bullock, foi descorajosamente surrupiado da mente gislesca. Essa coisa de misturar tempos narrativos, tão perto e tão longe, isso é coisa minha!
Assim como a base de toda a filosofia de Martin Heidegger, que foi plagiada de mim. Mesmo ele tendo vivido quase um século antes desta aspirante à escritora que vos incomoda, isso não o impediu de me imitar.
E em 2000, criei o Distanismo, que prega que a vida é uma preparação para a morte, tal qual um certo filosofo costumava dizer.
E quanto ao filme "Louca obsessão"? Aquela idéia era minha, minha só minha!
O originalíssimo (no meu tempo era) plot do filmaço "Casa Vazia", sobre jovem que invade as casas de pessoas hipócritas (oras, e quais não são) quando eles estão viajando e faz pequenos consertos. Adivinha só quem teve essa idéia?
Eu pretendia enfatizar as cores no meu novo opúsculo, ainda sem título (nos objetos de cena, nas roupas dos personagens, na claridade dos dias), o amarelo em especial, pois ele sempre foi para mim a cor da "náusea" sartriana. Além do que, é também a cor das alucinações que já tive em decorrência da enxaqueca - antes mesmo de saber que este era um dos sintomas. Pois sim, ainda não tinha lido nada de Lygia Fagundes Telles, por pura falta de interesse [desinteresse que persiste em persistir, a constar] e, no entanto, quando o fiz, não pude deixar de observar que ela sempre homenageou em sua obra a minha segunda cor favorita, o verde. Sendo assim, percebi que se eu incluísse tantos objetos amarelos quanto imaginei, pareceria mais um plágio malfeito. Mas, afinal, se eu tirei meu time de campo antes mesmo de começar a partida, quem NÃO plagiou de quem aí?

Escrito por Giselíssima às 16h31
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   LIXOLIVRO ULTRA-RECAUCHUTADO!!!!

Já que ninguém (além do meu fofíssimo Klans, o Thondy, o Special K) leu meu ultra-resplandecente lixolivro ultra-intitulado "Então, Você Finalmente Decidiu Decidir..." e subintitulado "Maravilhosérrimo Manual Semi-Automático, Antipático e Antiprático Giselístico Auto-Ajudativo e Enjoativo em Dez Preciosos, Precisos, Presumidos e Preçosos Capítulos, Para Subserviência Rápida e Efetiva em Momentos Diversos de Sua Patética e Altamente Ridiculosa Vidinha Nojosa", resolvi republicá-lo aqui, para deleite lixonautico geral!!!!!!!!



ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU LER ESSE TRECO PRONTUARÍSTICO...


Através desse livro lixístico você poderá adentrar o maravilhosérrimo mundo auto-ajudativo giselístico. Não dá nem para acreditar, né?!
Finalmente o sonho de toda uma vida patética se torna realidade e a única coisaque temos a dizer é Não acredito!!! Ora, quanta baboseira...
Bom, esse manual irá ajudá-lo de forma prática e efetiva em diversas ocasiões bizarras, corriqueiras e banalíssimas nas quais você possa vir a se meter. E isso é mais do que um excelente motivo para comemorar, pois significa que, a partir de agora você poderá se enfiar em muito mais enrascadas do que algum dia sonhou que pudesse!!!
Comemore, esse é o primeiro dia da sua nova vida!! Sim, uma vida cheia de problemas (assim como tem sido até então), mas em que você não precisará sair correndo deles. Chegou a sua vez de mandar pra p*** que pariu esses obstáculos atazanantes que insistem em aparecer a torto e a direito, sempre nos atropelando os afazeres mais urgentes e importantes a ponto de não conseguirmos passar por essa vidinha nojosa como os vencedores que jamais fomos.
A partir de agora não será mais necessário espernear toda vez que surgir um maldito contratempo na sua frente, a menos, é claro, que você queira. Basta abrir (e ler, essa é a parte mais difícil, mas passa logo) esse fantastiquíssimo manual autodestrutivo e inacreditavelmente auto-auxiliante distribuído em dez textinhos giselísticos, com todo o brilho e a pompa dignos do lixonauta.
Ééé, lembro-me do malditoso tempo em que passava os dias a repetir a mim mesma que, caso eu não fosse boa o suficiente como escritora, despencaria para o lado nojoso da auto-ajuda. Ora, ora, não é que cá estamos...?
Enfim, depreciações decadentistas à parte, faça bom uso deste manualzinho e desfrute de sua vida como se fosse sua única. Ops, a menos que você seja um gato ou acredite em reencarnação, esta já é sua única vida. Até porque, quem precisa de outra, se uma só já é foda de aturar?



Escrito por Giselíssima às 10h51
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   PERGUNTAS MENOS FREQUENTES

De que diabos se trata esse maldito manual, hein?
Trata-se de um livro literalixístico de auto-ajuda com dicas giselísticas de como planejar vinganças e outras coisinhas do gênero e que fogem ao gênero. Tudo isso foi feito pensando exclusivamente em você, desamparado leitor, inacudida leitora, para ajudá-lo nas mais difíceis questões que esta malacafenta vida lhe impõe.
Quê? Tá, mas mesmo que você não queira, ainda assim vou continuar tentando te ajudar. Por
que? Ora, sei lá, é que me bateu uma esquisitíssima vontade de bancar a filantrochata humanotária antropobesta. Não que o próprio ®Literalixo já não seja, por si só, um treco meio antropólatra e auto-ajudativo, mas é que ele não se assumiu como tal. Ainda...


> Eu disse que um dia ainda publicaria um livro de auto-ajuda, não disse?
Disse sim, você que não ouviu. Sempre repetia isso para mim mesma: .Se eu fracassar como escritora séria, não terei alternativa a não ser me rebaixar a ponto de escrever livros de auto-ajuda.. E, agora que cheguei ao fundo da poça de lama, decidi tomar coragem e publicar esse treco, mesmo sem ter desistido de fracassar em outras áreas escritorialísticas. Bom pra você, né?


> Por que a introdução e os dois primeiros capítulos deste lixolivro foram publicados no gislog antes do mesmo ter começado a ser distribuído? Por acaso se trata de alguma estratégia de marketing furada da Michelle Dreakks?
Ora, não é nada disso! É que, por mais que eu tenha tentado, não consegui terminar o lixolivro a tempo para que fosse lançado no aniversário do Literalixo, portanto, resolvi lançar apenas o que já estava escrito e, periodicamente postar os capítulos restantes.


> Por que você vive falando mal de nós, pobres seres humanos inocentes, e nunca larga do nosso pé? Isso não faz o menor sentido, sabia?
Sabia.


> Depois desse lixolivro você pretende lançar alguma coisa aproveitável ou vai só continuar a despontar para o anonimato?
Ora, uma pessoa não pode ter um hobby?


> Agora, a pergunta que há muito já deveria ter calado: Auto-ajuda ajuda?
Ahn... Bem, hmm...



Escrito por Giselíssima às 10h51
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU DEIXAR DE SER VOCÊ MESMO...

Quer dizer então que você finalmente se deu conta de sua personalidade fraca e quer reverter esse lamentável quadro, hein. Ótimo, saiba que o primeiro passo já foi dado, só faltam agora os próximos 17.891 passos.
Bom, ofereço desde já minha gisajuda, afinal, não há no mundo inteiro ninguém mais capacitado para esta missão. Bom, na verdade, há sim, mas essas pessoas estão todas ocupadas demais para pensar em no seu infortúnio, amigo. Felizmente, eu, com meu coração tão grande quanto meu cérebro,
inculquei com esta causa perdida que é você, mala véia, então chega de explicações, antes que eu desista disso.
Baseada em experiência plagiprópria, devo salientar, no entanto, que não será tão difícil quanto você pensa. Nada disso, é beeeeeem mais fácil do que parece.
Oh, céus, como pode ser fácil bancar outro ser, como??? Ó só:
A primeira coisa a se fazer é cortar totalmente os laços familiares e colegaliares que você tão ardorosamente manteve até hoje. Não há como andar para frente (O futuro, o futuro... O horror, o horror!) se você não se desvencilhar do seu maldito e desgramento passado, né, não?
Ora, ora, se é assim, saia da sua casa, mude de cidade ou mesmo de país e recomece uma vida decente longe dessa gentarada absolutabominável que te deixa para baixo!
Não há um mero registro em toda a pavorosa história da humanidade de que alguém já tenha conseguido conquistar algo de bom sendo quem é. Nananina! Quem disse que já conseguiu êxito agindo ao natural, está mentindo.
Não, não, não, não há como isso acontecer, jamais haverá, e não seja presunçoso a ponto de tentar me desdizer! Até porque, fazer isso dá um trabalhão, para não dizer que é humanamente impossível.
Então, convenceu agora?
Então continue a ler.
Já reparou no retrato de parvonáceo que você tem sido? Ora, então está mais do que na hora de fazê-lo, até porque não há outra forma de se livrar de si mesmo se não o fizer. E, acredite ou não, você precisa disso com urgência. E mais: se você leu até aqui, então é tudo isso mesmo.
Além de deixar de ser um perfeito babaca, você poderá tornar-se, quiçá, um protótipo do semi-oposto de perdedor! Mais incrível que isso, só mesmo se você se tornasse um vencedor, fato esse que tem se mostrado uma impossibilíssima impossibilidade. Já pensou poder realizar quase qualquer coisa que queira? Eu não.
A luta está apenas começando, e não terminando, como o mentecapto que você é deve ter julgado. O caminho está lotadaço de espinhos e de um monte de empecilhos da desgrama que vão te deixar espumando de raiva. Mas, agora que você não é mais um perdedor convicto, estou certa de que resolverá isso num instante.
No entanto, se você sempre pertenceu ao grupinho dos semivencedores, talvez seja hora de dar um passo atrás e tomar o lugar que já deveria ser seu no meio dos seus iguais, os imbecis fracassados.



Escrito por Giselíssima às 10h51
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU DEIXAR DE SER ANTI-SOCIAL...

Há um longo caminho a ser percorrido e, sem querer desanimá-lo (mentira, eu quero isso mesmo, tudo de pior pra você, seu troço inxingável!), devo dizer que você não tem a menor chance. Mas, a esperança é uma besta muito perresistente (tradução: persistente e resistente, tá?!), portanto, se você a tem a seu lado, ainda... Ah, pouco importa a minha maldita e não-solicitada opinião, o que importa é que eu vou auxiliá-lo nesta empreitada, como já repeti exaustivamente e como tenho prometido fazer até agora.
A primeira coisa que se tem de ter em mente é que não há problema ou vergonha em ser da família dos bichos-do-mato. Não, isso é puro preconceito desmedido e hipócrita e você, como o mau cidadão que é (os bons cidadãos que se explodam! E já vão tarde!), não deveria apoiar esse tipo de coisa.
Seres anti-sociais não apenas são pessoas como todas as outras, como são infinitamente mais espertos e produtivos que a maioria. Os trouxas que jamais tiveram cacife para integrar a elite dos A.S. inventaram essa babaquice de que ser anti-social denota defeito, e não qualidade, por pura inveja. E idéia sem fundamento, você sabe como é, gruda na cabeça dos Zé-Manés como carrapato nos fofíssimos eqüinos.
De qualquer forma, se você ainda não conseguiu se livrar dessa obsessão por se rebaixar ao nível "deles", saiba que nada tenho com isso, a não ser, é evidente, o fato de que tirei o dia para bancar a filantrochata humanotária antropobesta. Então, chega de papo furado e vamos a mais papo furado, com navalha, a constar.
Se, mesmo concordando que é muuuuuuito melhor viver à mercê dessa sociedade de merda, ainda assim você insistir em deixar de ser um AS (a partir de agora, denominado ÁS), vá em frente, babaca.
O primeiro passo é aprender alguns clichezinhos enchavados, de preferência, os do pior tipo. Sim, para quem aiiiiiiiinda não percebeu, a odiável maioria das pessoas (os trastes socialmente aceitos) dispara centenas de milhares dessas pérolas grotescas na nossa cara a toda maldita hora, sem aviso prévio ou consideração, o que é muito pior.
Sendo assim, você deve fazer exatamente a mesma coisa: disparar a dizer estas irritantíssimas frases feitas.
Quer exemplos? Pois eu não sei de nenhum, contente-se em receber conselhos pela metade ou vá rastejar em outro lugar!
O que eu quero dizer é: o melhor jeito de encontrar os tais exemplos é sair por aí e simplesmente observar. Fácil, não é? Bom, alguma coisa tinha de ser, e nada é mais fácil do que imitar os outros. Sim, é isso o que você precisará fazer para alcançar o topo da montanha da aceitação (glup!).
Veja por exemplo, o caso da maioria (ai, ai...) dos adolescentes. Eles sempre parecem querer ser diferentes, mas acabam imitando-se um aos outros.* Pois sim, faça isso você também e obterá os resultados que almeja.
Bom, foi solicitado que o lixonauta que quisesse exemplos de clichês saísse e observasse. Bom, a parte de observação é moleza, difícil é sair... Se para você isso não é um problema, então está lendo o texto errado. Mas, ao contrário, se sair de casa é para você uma tortura, saia mesmo assim.
Que foi? Continuar a se esconder não vai acrescentar créditos a sua popularidade atualmente zerada, portanto, cai fora.


* Disse isso baseada na citação brilhantesca de Quentin Crisp: "Os jovens sempre tiveram um problema: Como se enquadrar e se rebelar ao mesmo tempo? Agora parecem tê-lo resolvido: desafiando os pais e copiando-se uns aos outros".



Escrito por Giselíssima às 10h51
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU FUGIR DE CASA...

Utilizando-me, como é costume, apenas de minha superbem desenvolvida empatia, farei o que estiver ao meu curto alcance para assisti-lo nessa empreitada. Vamos lá.
O melhor a fazer é ser rápido. Sim, a situação é complicada (afinal, se não fosse, não precisaria da minha ajuda não-requisitada) e em casos complicados é preferível ser frio para ser efetivo. Além do que, desgarrar-se de seu acre lar é, em muitos casos, uma passagem de ida sem volta. Temos que puxar o band-aid do abandono das origens de uma só vez, sem muitas firulas.
Nada de gastar dias inteiros se despedindo de cada objeto inanimado por demais denso para ser levado, não. Não se deve cometer esse tipo de escorregadela, ou como preferir, insanidade. O recomendável é se desapegar por completo de tudo e de todos, afinal, você precisa fazer isso se quiser sobreviver nesse mundo cruel e aterrorizante aí fora, que espera impacientemente para te dar o bote.
Antes de qualquer decisão apressada, pense, pense e pense (acredite, pensar não dói tanto quanto dizem) infinitas vezes sobre a questão: "Oh, Deus! É isso mesmo o que quero fazer?" Ou ainda: "Maldição! Isso realmente é necessário?".
Em caso de resposta verdadeira e afirmativa, ótimo, continue lendo. Eu sei que pode parecer uma etapa supérflua, mas ela, além de ser a mais básica é também a mais importante de todas. Lembre-se daquele velho, verdadeiro e por isso odiável ditado: "Uma grande e excruciante caminhada começa com um maldito passo". E digo muito mais: é preferível que esse passo inicial seja um passo largo e enérgico. Sem isso, não se chegará nem mesmo até a calçada, e logicamente não me refiro à calçada da fama, pois, para chegar lá, basta dormir com o produtor certo - e não com todos os que encontrar pela frente, como algumas costumam afirmar.
Como tenho profunda ciência de que o desapego material é tão imaginável quanto um ladrão honesto, uma dica da minha caixinha de dicas valiosas: faça um esforço puramente humano (afinal, esses seres humanos já nascem com o dom da mentira embutido neles) e minta para si mesmo. Prometa que voltará logo que puder para apanhar esses objetos tão dolorosamente insubstituíveis, provavelmente isso o confortará. Pelo menos até conseguir bater as asas e levantar vôo.
Levar ou não levar? Eis a maldita questão. A regra para responder a isso é a mesma da dos rodízios de pizza: pague o valor estipulado e coma tudo o que puder. Bem, a menos que você homeristicamente encare isso como um desafio pessoal, não tem muita chance de se sair bem. Lembre-se de que se você não pode carregar, não pode utilizar, até porque vai cair tudo por aí, formando um balburdístico e denunciante rastro de uma fuga imperfeita.
Ih, acho que me excedi no falatório de besteiradas. O mais irônico de tudo é que sempre soube que esse dia chegaria, mas custava a acreditar. Até porque há uma certa dificuldade em acreditar no que eu digo, até mesmo para mim. E olha que eu sou eu...
Bom, passemos agora das besteiras à resolução desta abstrusa questão. Leve apenas o essencial do essencial, o básico do básico, os cacarecos que você considera o supra-sumo do supra-sumo. As coisas sem as quais a vida perderia o brilho, seus objetos inanimados inseparáveis, aqueles que você não trocaria por porcaria nenhuma nesse mundo nojento, aqueles que...
Aquelas coisas lá, aquelas que você sabe melhor do que ninguém quais são. Sabe, não? Bom, se não sabe, eu direi. Se você já viajou ao menos uma vez nessa sua medíocre vida deve saber muito bem como arrumar uma mala. A menos que a mamãezinha tenha feito a malinha do bebezinho... Desculpa, não quis ser insensível, muito menos idiota. Idiota, talvez. Reconheço que num passado por demais longínquo para ser lembrado ocorreram alguns episódios de idiotice, mas Garabet Ibraileanu (1871-1936), falecido escritor, tem uma citação que atirou em minha defesa: "Uma pessoa tola não diz coisas inteligentes, mas uma pessoa inteligente diz muitas asneiras".
De qualquer forma, um legítimo espécime de filhinho da mamãe não ousaria fugir de casa, até porque isso só o prejudicaria.
Bom, como ia embromando, (sou boa nisso, não sou?) leve apenas o necessário, como as roupas que você mais usa e não aquelas que você diz que vai usar quando finalmente conseguir perder uns três quilinhos. Com toda essa força de vontade é pouco provável que vá precisar delas.
Leve também alguns calçados, afinal, tem muita pedra por aí, cacos de vidro e tudo mais. Não vai querer cortar os lindos pezinhos, não é? Enfim, leve somente o que poderá carregar sem machucar as costas. Se puder descolar uma mala com rodízios, não hesite em fazê-lo, é claro.
A próxima etapa é, na verdade, a segunda. Você deve executá-la antes de arrumar as malas. Ora, que diabo de etapa é essa? Bem, ela consiste unicamente em arranjar um lugar para se abrigar da chuva, do frio e, principalmente, da lista dos desabrigados.
Se não tiver um destino, isso estragará todo o até então bem bolado plano. No entanto, se tiver amigos poderá dar a eles a felicidade de desfrutar de sua maravilhosa companhia por uns tempos. Mas, tenha em mente que, cedo ou tarde precisará de um lugar roubado para chamar de seu.
Ah, vamos pular essa parte. É basicamente insolúvel, terá que pensar nisso sem meu auxílio, desculpe.
Outra providência a ser tomada sem demora é pensar seriamente sobre o futuro, se é que haverá um. Bom, não se assuste se ficar com medo (!), é o tipo de reação completamente normal que se espera de um ser humano pateticamente normal, como você. Ora, bolas! Que me atire o primeiro notebook com 1 GB de memo quem nunca se sentiu amedrontado diante do desconhecido.
Passadas essas etapas, o resto é moleza, basta manter as tralhas em ordem (ou em desordem, como preferir) e você se sairá bem. Isso se não voltar rastejando para a casa da mamãe.



Escrito por Giselíssima às 10h51
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU DEIXAR DE SER SEDENTÁRIO...

Bom, muito bom! E tenho duas notícias para você: uma muito, muito boa e outra meio ruinzinha. A decisão é o passo mais importante, mas não o mais difícil e esta é a má notícia. A excelente notícia é que eu vou ajudá-lo nesta jornada contra as gordurinhas mal-localizadas.
Pronto? Estando ou não, lá vamos nós. Há centenas de coisas tão básicas quanto chatas que você, sendo o asno ignorante que eu sei que é, ainda não sabe sobre dieta e atividades físicas. Por isso, continue lendo mesmo que esteja morrendo de raiva.
"Por que diabos eu estaria enraivecido, oh Deus?" Ora, porque isso faria um bem danado para a sua magreza, rechonchudo leitor, volumosa leitora.
Raiva e exercícios físicos têm tudo a ver. É sim, eu arriscaria dizer que um não é absolutamente nada sem o outro.
"Oh, God, como assim??? Me elucide, please!"
Não é exatamente para esse tipo de coisa que estou aqui, mas vou explicar-lhe mesmo assim. Bom, após dezenas de árduos anos de estudos que pareciam não ter fim, de pesquisas que eu não sabia se me seriam úteis e de muitas e muitas guloseimas catastroficamente calóricas, cheguei finalmente a uma conclusão um tanto inconclusiva: a raiva é um fator básico para _ _ _ _ _.
Argh! Parecia um verdadeiro complete a frase com as palavras que não se encontram na caixa... Aí comecei a pensar, pensar, pensar e, mesmo estando ainda muito confusa, e cansada, e chateada, e com sono, e com um enxaqueca da desgrama, tinha uma certeza: a de que pensar ajuda a queimar calorias. Por isso continuei empenhada em pensar e, como toda hora aparecia algum infeliz para me importunar, percebi que isso me deixava com uma enorme vontade de socar alguém. Como isso se mostrou uma impossibilidade, fiquei com a maior raiva do mundo, sentia como se minhas todas as minhas veias fossem saltar da minha testa e como se eu tivesse mais força do que realmente tenho.
Então, num momento de alta mas não rara inspiração, corri para meu canto recôndito e comecei a fazer abdominais. Foi aí que a luz se fez! E finalmente percebi que fazer exercícios quando se está com muita raiva é muito mais fácil e menos pedante do que quando somos um poço temporário de serenidade.
Sim, eu tinha descoberto a cura para a preguiça exerciçóida!!!!! E, esperta como sou, dotada de um QI assustadoramente superior ao da maioria dos babacas, e até ao da minoria, sabia do poder que isso me infligia, então resolvi registrar esse segredo, quiçá, para a posteridade, já que no momento atual parece-me que nenhuma alma viva poderia valorizá-lo a contento.
Resumindo, a raiva, o ódio, a cólera, a fúria, a ira, enfim, todos os derivados da odiosidade nos impulsionam a emagrecer. É ou não é sensacional? Mas é claro que sim, ora! E é claro também que essa não é a única coisa que você tem que aprender.
Há outros fatores além da raiva que facilitam o exercício do exercício (tsk!) e um desses é a trilha sonora. Ora, a música é importantíssima não só porque nos mostra caminhos luminosos para importunar os vizinhos, mas também porque pode nos instigar a nos exercitar.
E, se existe uma música perfeita para fazer exercícios e eu digo que existe, então essa música só pode ser "Outtaside", do Wilco. Ou qualquer outra upíssima, desde bandas como o Cure até Okkervil River.
E se você ainda é adepto da errônea idéia que outro estilo musicalístico diferente da megaultrapassada Dance Music é totalmente desapropriado para pôr as gordurinhas no devido lugar, saiba que você não passa de um reservatório do mais puro engano enclichezado!
Não é preciso aturar esse tipo de lixo audístico pra se exercitar, não. Basta você colocar no "repeat" alguma única supermúsica e mandar ver na academia ou na sua sala de ginástica particular e esnobe!!!
E, quando e se enjoar, pode compilar umas belezinhas power popísticas ou mesmo bem corta-pulsos, dependendo do estado atual do seu fígado, e não terá mais desculpa para manter esses pneus horrorosos que eu to enxergando daqui mesmo.


> Texto gentilmente cedido por Mastergis Trainner, sua nova personal trainner predileta, êêê!!!!!!!



Escrito por Giselíssima às 10h50
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU BANCAR O PSICOPATA HOMICIDA...

Já era tempo... Bom, se está mesmo decidido a fazer isso, vá em frente. Não serei a intrometida que estragará seus planos, não mesmo. No aguardo de uma recompensa, em pessoa eu (se é que posso ser considerada uma pessoa, hê, hê.) o auxiliarei por entre esse longo caminho sem volta.
Como? Ora, com minhas diquíssimas falivelmente infalíveis. Duvida? Pois então não espere e verá.
Por onde podemos começar? Bem, evidentemente pelo final. Caso não saiba, queridíssimo leitor, prezadíssima leitora, é que euzinha aqui sou do tempo em que matadores de aluguel surgiam às pencas, como grandes jacas nas árvores frutíferas, o que automaticamente inseria esta distinta profissão no rol das mais difundidas.
Ah, bons tempos aqueles, dos quais não me restou nem mesmo saudade... Bom, como ia dizendo, ou não ia, sei lá, até os maiores assassinos já se sentiram completamente impotentes diante da complicadíssima questão que nunca deixou de persegui-los onde quer que fossem: Que diabos fazer com o corpo?
Bem, como já foi dito, a questão não é das mais fáceis e exatamente por isso é preciso resolvê-la antes de partir para a segunda etapa sobre a qual muito em breve discutiremos.
Se você não faz idéia de como se livrar do presunto (sim, porque apagar o ser vivente é fácil; difícil mesmo é manter as aparências), saiba que eu faço. Os mais inexperientes diriam plausíveis jocosidades como, por exemplo, "ah, joga o morto num terreno baldio ou numa caçamba de lixo" ou "põe num saco plástico e ’homem ao maaarrrr’"...
Tsc, patetices à parte, voltemos à questão: que diabos estou fazendo? Sim, antes de qualquer ato palhacento, você precisará se fazer esta pergunta. "Oh, céus, é isso mesmo o que almejo???". Se a resposta for sim, faça o que manda seu ridículo coração. Em caso de um ’não’, jogue este lixolivro emaginário na fogueira mais próxima. Bem, quanto ao corpo, basta esquartejá-lo e acoplar ao cimento da sua calçada.
Resolvido isso, basta partir para a segunda parte mais importante do nosso plano (sim, faço questão de compartilhar os créditos), a arma do crime. Sim, ela tem que ser mais do que apenas bem escolhida, tem que ser efetiva. Se bem que uma arma bem escolhida é sempre efetiva, já que a morte também é.
Tanto faz que ferramentas você vai usar, todas as alternativas possíveis estarão certas se você se empenhar. Desde um revólver, venenos letais, até os objetos mais inusitados como canetas e peças de Lego. Use a criatividade que você não tem. Se quiser levar isso profissionalmente, saiba que precisará fazer mais do que apenas matar uns idiotas, precisará deixar a sua marca registrada. Infelizmente, antes de fazer isso, você precisa criar uma.
Charles Manson não ficou famoso à toa, ele se empenhou em ser o melhor - se bem que o doutor Morte matou muuuuuito mais gente que ele.
Invente símbolos, disponha os corpos das vítimas de formas interessantes, enfim, coloque a sua imaginação para funcionar, não a minha - até porque ela está se esgotando...
Não, não me contradigo quando afirmo que a escolha da arma não é tão importante, mesmo que algumas linhas acima eu tenha dito o oposto. O que quero dizer é que, para cada trabalho há uma ferramenta que é mais adequada.
Sim, mas se você é um iniciante (não tente negar, sei que é novo no negócio, nem sabia por onde terminar), recomendo-lhe que use algum tipo de veneno, de preferência os mais rápidos e efetivos, como os cianetos ou mesmo o veneno do baiacu, que é mil vezes mais potente e letUAU.
Escolhida a maneira de fazer seu serviço, um último aviso: dispa-se de todo o pesar, culpa, arrependimento, náusea ou seja lá o que costuma acometê-lo após um ato vil e antiético como esse. Sim, a culpa é cruel, muito cruel e tão forte que vai te derrubar num segundo. E, convenhamos, viver um segundo após o desfalecimento de sua vítima pega muito mal para alguém que pretende seguir nessa profissão. Nada de chororô pós-morte, pois como diria o dr. Nick, "o que está morto, está morto", hehe...
Enfim, se o arrependimento o abater, lembre-se de que foi tudo culpa sua, pois devia ter pensado nisso antes, meu chapa.



Escrito por Giselíssima às 10h50
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU FORJAR SUA PRÓPRIA MORTE...

Ora, ora, que beleza! É isso aí, decisão tomada, tá na hora de mandar bala, mas no sentido figurado, claro, senão você morre de verdade e não poderá forjar porra nenhuma.
Há raras oportunidades em nossas medíocres vidas em que temos a chance de mudar tudo e recomeçarmos, e quando algo assim acontece, não podemos simplesmente ignorar. A hora de mudar é essa, então dê adeusinho ao bestalhão de antigamente, pois você terá a chance de tornar-se o bestalhão do futuro!
Oh, yeah, mas e quanto às duvidas, dúvidas???? Ora, passa uma rasteira nelas usando as gisdiquinhas em forma de perguntas lixonáuticas e respostas giselísticas.


Pergunta Lixonáutica: Por que eu quereria e /ou precisaria forjar a morte do ser humano mais perfeito deste mundo, hein?
Resposta Giselística: Porque você está exausto de ser um perfeito palhaço, não?


P.L.: O que eu ganho com isso?
R.G.: Uma vida novinha em folha, camaradinha. Só isso. Ah, e também o fato de que você vai (ao menos terá a chance de) deixar de ser o perdedor que sempre foi.


P.L.: Como??? C-O-M-OOOOOOO????
R.G.: É fácil, basta... Hmm, na verdade, não é tão fácil assim, mas também não é tão difícil. A palavra chave é: atitude. Sem ela, você vai continuar justamente onde está, isso se tiver sorte.


P.L.: Novamente: COMOOOOOOO?????????
R.G.: Já falei, com atitude. Ah, esqueci que você não sabe o que é isso, portanto, explica-lo-ei. Ter atitude significa fazer algo com estilo, um só seu, só que... Droga, esqueci que isso é impossível para alguém como você, mas ainda assim vou falar. Tudo o que você precisa para executar o plano é facilmente encontrável dentro de seu armário. A menos que, é claro, seu armário esteja tão bagunçado que lhe exija certo grau de coragem e estímulo para abri-lo. Não sendo este o caso, siga para o segundo passo.


P.L.: Preciso mesmo perguntar qual o maldito segundo passo?
R.G.: Sim, precisa.


P.L.: Ora, então responda logo, merda!
R.G.: Para o desenvolvimento do nosso queridoso plano, você vai precisar de: tinta vermelha (pode ser vermelho-cereja, vermelho-morango ou qualquer outra derivação do vermelho. Se tiver vermelho-sangue, melhor); muita saliva própria (tem uma boa explicação para isso).


P.L.: Não vai explicar como se faz, p***?
R.G.: Claro que vou, desgrama. Para quem não percebeu, a tinta é para ser usada como sangue falso, e você não a usará em caso de envenenamento ou quaisquer outras causas de morte que não necessitem de sangue. Neste caso, aí sim você precisará de bolhas de sabão para simular a babação, já que pessoas envenenadas geralmente morrem babando, especialmente aquelas apressadas, preguiçosas e/ou desorganizadas que deixam de fazer uma lista dos "50 Melhores Venenos Para Uso Próprio". Não se sabe ao certo, mas provavelmente isso se dá porque estas pessoas visualizam a morte (afinal, tão perto...) e a veneram, daí a baba.


P.L.: É só isso? Tem certeza de que não se esqueceu de nada?
R.G.: Não. E daí?


P.L.: Isso não ajudou muito... E é muito clichezenta essa dica de morte. E foi copiada de um filme muito ruinzin...
R.G.: ...



Escrito por Giselíssima às 10h49
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   ENTÃO, VOCÊ FINALMENTE DECIDIU SE VINGAR DAQUELES DESGRAÇADOS NOJOSOS...

Num passado distante te fizeram de palhaço? Aproveitaram-se de sua decência e covardemente te golpearam? Confundiram você com um fracassado, duvidando de seus dotes intelectuais? Ora, então não há muito que pensar, é hora da vingança, amigo.
Em primeiro lugar, esqueça essa história de que guardar rancor é coisa de gente rancorosa. Bom, de certa forma, é verdade, mas ainda assim é furada. É apenas uma coisa patética da enorme lista de coisas patéticas que certos humanóides ainda mais patéticos inventaram para tentar reprimi-lo. Querem que você seja suficientemente idiota para acreditar nisso, mas eu lhe imploro: não seja, pois já existe gente suficientemente idiota por aí, e mais um seria inaceitável. Quero que saiba que acredito no seu bom senso, mesmo que nem você acredite.
Outra coisa que quero também deixar claro é que ser rancoroso só é prejudicial àqueles que sofrerão as conseqüências por seus desprezíveis atos e não a quem os cometerá, pois este certamente se regozijará como nunca.
Para seu próprio bem, desprenda-se também dessa idéia de que vinganças são possíveis só em filmes-testosterona tão comerciais quanto horrorosos. Planejar uma boa vingança é como escrever um livro: só precisa de uns poucos litros de qualquer coisa levemente entorpecente e certo período de tempo para se dedicar às devidas providências.
Pense bem, o que seria dos filmes de ação se não existissem os personagens vingativos? Hein? Toda ação começa com uma vingança e toda vingança começa com uma ação. Sendo assim, só temos uma coisa a fazer: uma lista negra.
Claro que você pode pular essa etapa se 1-tiver uma boa memória ou 2-tiver poucos inimigos. Do contrário, pegue um bloco de anotações preto-carvão e uma caneta vermelho-sangue.
Não, melhor ainda, esqueça a caneta e pegue uma navalha. Faça um inofensivo corte no seu dedinho indicador e escreva com seu próprio sangue. Mas, se não for besta nem masoquista...
Ah, droga, pega logo uma caneta! Pronto, agora escreve.
Puxe pela memória, desde sua tenríssima infância até seus atuais dias de velhaco acabado e faça um doloroso replay. Lembre-se de toda a dor e humilhação, da perda, do sofrimento desenfreado a que injusta e desumanamente você foi submetido e procure os supostos culpados. Agora, utilize todos os seus dotes literários e escreva os nomes desses salafrários, desses desgraçados, dessas bestas-quadradas sadistas e então, torne-se uma delas.
Os dotes literários são para que você redija umas boas vinganças, agridoces como bombons com fel e superestilosas como eu. Porque, se não for assim, eu não brinco mais! Mas, o que importa mesmo é não deixar ninguém de fora da sua cotadíssima lista.
Feito isso, basta partir para a fase dois: planejar as vinganças. Sempre que algum zé-ruela me atazana, imagino uma cena que me faz gargalhar sozinha: visualizo a mim mesma enfiando uma lança no estomago do ser nojoso em questão. É uma diliça!
Mas, diferentemente desta abestalhada que vos literalixifica, você não deve se contentar com tão pouco, queridérrimo lixonauta. Nada disso, pense alto, mande seus pensamentos demoníacos às profundezas do inferno para buscar uma vingança que se preze. Senão, de que adiantará fazer a maldita lista negra? Perda de tempo e de ódio, amiguinho. E pior: sua vingancinha ficará incompletinha e não podemos deixar que isso aconteça, jamaizinho!
Bom, já que é assim, não economize tempo em planejar, pois uma vingança bem feita jamais é desfeita! E também não é feita às pressas. Matute com cuidado e faça tudo direitinho.
Eu até poderia exemplificar aqui algumas vinganças, mas infelizmente essa é uma arte que não mais está ao meu malogrado alcance. Se bem que isso não importa, pois se você não conseguir planejar nada a altura, isso nos levará a uma só verdade: a de que você não teria cacife mesmo para colocá-la em prática...



Escrito por Giselíssima às 10h49
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Informática e Internet, Saúde e beleza, Veganismo


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