LITERALIXO
   A CHAVE DO INSUCESSO

Antiguia lixesco de como se comportar em entrevistas empregatício-nojosas

Vejam só, lixonautinhas, um lixotexto gentilmente cedido por um simpático ser extraterreno, chamado ZT3625728, que nos visitou a pouco tempo. Durante sua longa temporada por estas bandas, ele tentou várias vagas de emprego, mas não conseguiu nenhuma e por isso me enviou uma descrição pormenorizada das entrevistas das quais teve o infortúnio de participar, para que eu (oh, céus, justo eu!!!) apontasse o que ele tinha feito de errado.

Analisando suas respostas, vi que ele nada tinha feito de errado e que errados estavam esses humanos nojosos com os quais ele se defrontou. Mas, ainda assim, apontoei seus erros. Ei-los.

Ah, esses entrevistadores chinfrins, os troços-ruins do RH, as bestas-humanas mais odiosas do planeta... Fingem querer que sejamos espontââââneos como pipoca doce, mas na verdade querem apenas alguém para acatar suas ordens egoísticas. Mas, você tem sorte por ter a mim, uma pessoa com um coração enorme e que nunca deixa de ajudar os pobres de espírito como você.

A seguir, uma libertária lista com as perguntas prediletas dos selecionadores idiotas, as respostas que eles querem ouvir de você e as respostas que você lhes deveria arremessar.

Pergunta Idiota Mais Freqüente: Por que você quer trabalhar nesta empresa? 

Resposta Padrão: Diga o que disser, nunca diga que o motivo é apenas desemprego. Se ele quisesse ouvir a verdade, dedicar-se-ia ao estudo da vidência ou da ufologia.

Resposta do ET: Não quero. Trabalho é para trouxas.

PIMF: Onde você quer estar daqui a cinco anos?

RP: Evite divagar e atenha-se aos seus planos profissionais. Ele não quer saber de que cor será sua Mercedes imaginária. 

RET: Onde quero estar não importa, e sim as chances que eu tenho de chegar lá. Se eu tivesse futuro, ou soubesse como ele será, não estaria aqui tentando esta vaga, e sim numa barraquinha lendo mãos. É óbvio (a todos, menos a um parvonáceo como você) que quero estar em melhores condições, mas infelizmente, o sucesso independe de competência ou inteligência. Para ser bem-sucedido, é preciso muita sorte e carisma, duas coisas que infelizmente uma pessoa nesta sala parece ter.

PIMF: Por que você se desligou da empresa anterior?

RP: Não fale mal da empresa ou do antigo chefe! Não seja burro, eles não vão querer que você fale mal deles quando for chutado. Geralmente preferem que você faça isso durante o expediente. 

RET: Diga a verdade, mas não vale pedir desculpas depois, viu? Ah, e tenha em mente que eles só querem contratar alguém (não necessariamente você) para poder demitir o mais depressa possível.

PIMF: O que fez nos trabalhos anteriores?

RP: Diga o que sabe fingir fazer e apresente resultados em forma de infindáveis exemplos.

RET: Faltei 500 milhões de vezes; cheguei atrasado nas poucas vezes em que compareci o trabalho; e fofoquei durante toda a jornada.

PIMF: Qual a sua avaliação sobre a última empresa onde trabalhou? E sobre o seu chefe?

RP: Concentre-se nos fatos profissionais (vulgo: "sua versão da história"), sobretudo se foi demitido. Ah, e não ofenda ninguém. 

RET: Oh, merda, o que estou fazendo aqui???????

PIMF: O que seu último chefe ressaltaria como suas qualidades e limitações? 

RP: Oculte seus pontos fracos e estenda-se sobre suas falsas qualidades. É isso o que eles querem, mesmo que digam o oposto.

RET: Como raios espera que eu saiba o que se passa naquela mente doentia? O cara era um sádico, como todos. 

PIMF: Você consegue trabalhar sob pressão? 

RP: É importantíssimo que você deixe claro que sabe fazer a coisa mais boba e que qualquer imbecil descerebrado sabe fazer.

RET: Se eu disser que sim (eu sei que é o que você quer ouvir, mas saiba que não te darei esse gostinho, babaca), você não vai acreditar, pois provavelmente acha que eu sou apenas mais um robozinho, como todos os seus malditos súditos. Se eu disser que não, pode até ser que você goste da minha desvairada sinceridade e me contrate. Mas, por outro lado, posso ser imediata e indesculpavelmente desclassificado. Traduzindo, esta é mais uma pergunta que você jamais deveria ter incluído em seu parco repertório.

PIMF: Você tem iniciativa?

RP: Dê exemplos bobos e ilusórios e procure falar com a mesma entonação ultra-articulada e ultra-irritante dessas malditosas operadoras de telemarketing.

RET: Responder a esta perguntinha ridícula seria como responder se sou competente ou qualquer outra merda dessa. De que adianta eu dizer que tenho iniciativa? Não é algo que se diga, mas que se demonstra. Se quer mesmo uma resposta a isto, me contrate e tire suas próprias conclusões, se é que você é capaz disso. (cuidado para não se overdosar de sarcasmo) 

PIMF: Qual o tipo de profissional que você admira? Qual você não admira?

RP: Desonestidade é o caminho, concentre-se só na primeira questão e não dê nomes aos bois quando for falar mal dos ex-chefes.

RET: Permita-me reformular esta mal-formulada questão: Que atitudes você gosta que sejam tomadas em tais situações. Era isso o que você queria dizer, não diga que não. Você deveria ter incluído alternativas, aí eu poderia tentar responder ao menos esta sem ter que tirar uma com a sua cara.

PIMF: Quantas horas você pode trabalhar?

RP: Saiba que é comum que a empresa pergunte sobre hora extra, portanto, se você for uma pessoa muito ocupada para perder seu tempo na labuta, é hora de mentir. Paciência, pois a hora de mostrar as garrinhas logo chegará, quando você estiver trabalhando. Fazer o quê? Eles preferem que seja assim.

RET: Se eu disser que estou a seu completo dispor 24 horas por dia, inclusive sábados, domingos e feriados, você irá pensar que não passo de um exímio desocupado, que não tenho vida própria, que estou mentindo ou tudo isso junto e usará isso como desculpa para não me contratar. Mas, se eu disser que não tenho saco para trabalhar como um escravo ou como um azarado burro-de-carga, você não irá me contratar. Parece-me que sua única forma de diversão é constranger as pessoas. 

PIMF: E se o entrevistador fizer perguntas pessoais?

RP: Fuja do assunto. Como? Ah, se vira.

RET: Só responda se ele responder primeiro. 

PIMF: Qual o último livro que você leu ou filme a que assistiu?

RP: É evidente que o entrevistador continua sendo intrometido, não dá mais pra negar. É hora de tagarelar, então pare de perder tempo.

RET: Se sua maldita intenção é saber se eu sou um alienado, deveria ter perguntado qual o meu filme e livro prediletos. Quando você vai aprender, hein? 

PIMF: Quanto você espera ganhar nesse cargo?

RP: Retirada pela esquerda! Mude de assunto.

RET: Quanto você esperava ganhar no seu?

Ah, quem dera fossem só as perguntas... Os candidatos a qualquer vaguinha ridícula (especialmente as do topo da lista das hiper-ridiculosas, como atendente de telemarketing ou vendedor externo) geralmente têm que aturar bem mais que isso. Querem que você "demonstre seus pontos fortes, mesmo que não faça parte das perguntas, mas espere o momento propício". Ora, e se o tal momento propício nunca chegar? Alguém se habilita? 

Quanto à impalpável regra de olhar nos olhos do entrevistador, tenho a dizer que fazer isso só dificulta ainda mais a vida do candidato. Como ele vai mentir com toda a astúcia necessária se estiver mais preocupado em encarar o songomongo do entrevistador? E outra: "Tenha sempre um sorriso nos lábios". Daí para se tornar um palhaço de circo só vai faltar mesmo a canção no coração, e claro, o nariz vermelho. Qual é? Com essa cara de besta, a auto-estima mais baixa que a cotação do dólar, enfim, levando uma vidinha de merda, como diabo espera que alguém consiga sorrir? Aí já é pedir demais.

Outra: "Procure chegar 10 minutos antes da hora marcada". Ora, que idiotice! Contanto que não perca a entrevista, para que perder seus preciosos 10 minutos colado a uma cadeira sentindo o popô doer? Afinal, se você chegou antes do troço acabar, então chegou na hora.

Mais outra: "Use roupas discretas e com cores sóbrias." O que eles têm contra pessoas que se vestem de forma diferente da maioria e com o mínimo de bom gosto? Só pode ser inveja por não terem o mínimo de criatividade e autoconfiança que a tarefa exige, não há outra explicação. Bom, há sim: querem ter a ilusão de poder e acham que se puderem te manipular a ponto de te fazer vestir o modelito imposto por eles, terão você na palma da mão. Tolinhos...

Outrinha: "Não demonstre medo". O troço estúpido fica te olhando com uma cara de Lobo Mau e analisando até o mais imperceptível dos seus movimentos e ainda espera que você permaneça indiferente? É o mesmo que te jogar num rio a -5°C e esperar que não trema de frio! 

Outra: "Cuidado com as expressões 'a nível de', 'né' e 'vamos supor que'." Olha, a nível de suposição, vamos supor que eu acho que você não ia me contratar mesmo, né?

Só mais essa: "Cabeça erguida!". Qual problema de ser nervoso ou inseguro? Nada disso denota incompetência, merda! Aliás, as melhores palestras foram feitas por pessoas que se diziam hipernervosas.

E essa: "Durma bem para manter a boa aparência". É um saco viver numa sociedade que só se preocupa com as aparências. Como podem conceder cargos de poder ou mesmo de nenhum poder a esse tipo de gente? Além do que, o infeliz dorme se quiser (e se conseguir), ou vou ter que aproximar meu punho do seu queixo duplo para que você entenda isso?

Essa é totalmente sem noção: "Afaste-se de pessoas pessimistas." Em 1º lugar: se o candidato for considerado pessimista (mesmo que erroneamente), como ele poderia, mesmo que quisesse, se afastar de si mesmo? Mudando as leis da física? Tsc. Em 2º: mesmo que não seja e queira se afastar de pessoas assim, acha que conseguiria? E mais: se conseguisse, em que isso o ajudaria? Em 3°: acha que alguém faria isso só porque um infeliz qualquer atrás de uma mesa "acha recomendável"?

Olha essa: "Aperto de mão fraco é sinal de falta de firmeza". Ah, tá. Se isso é verdade, então também é verdade que a Mich Dreakks é a mulher dos sonhos do Kyle Chandler.

A última: "Procure fazer exercícios físicos para manter a boa forma e a auto-estima". São motivos ótimos, mas não o bastante para que alguém tenha saco para fazê-los.

Que fim levou ZT3625728?????? Oras, o pobrezinho, revoltado, retornou a seu planeta litosferiano o mais depressa que pôde, a fim de submeter-se a um intensivo tratamento de esquecimento. Disse-me, na despedida, que nunca mais retornaria a este planetinha chinfrim e que merecia o pior dos castigos por ter algum dia acreditado que esse fosse um lugar razoável para se viver. Pena que este castigo é aplicado até mesmo àqueles que jamais escolheram coisa alguma.



Escrito por Giselly Greene às 13h36
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   MAIS SEMIPLÁGIOS MUSICAIS!!!!!!!!!!


» "Nuestro verano", do fantástico El mató a Un Policia Motorizado = "Prosthetic Head", Green Day e tão superótima quanto;
» Isso sem falar que sua espacialíssima "Rock Espacial" é irmã-gêmea de "She don't use jelly", do Flaming Lips;
» E mais plágios do Policia Motorizado: sua "Prenderte Fuego" = "Feel the Pain", do Goldfinger;
» E, como não bastasse isso tudo, milhares de músicas dos matadores do "polícia motorizado" ainda exala muito dos melhores momentos do Wedding Present (a banda que nunca teve momentos ruins);
» Autosemiplágiozão do Elvis Costello: "...This Town..." = Clowtime is Over". Mas ele pode, só ele é assim;
» "Should I Stay or Should I Go", do Clash = "Less Than Zero", do Elvis Costello;
» "Sun is Here", do Sun = "Screw", do The Cure;
» "Musterion", do Joe Satriani = "A Reflection", do The Cure
» Autoplágio pumpkiano: "East" e "Rhinoceros";
» A faixa "Admirável Mundo Novo", do excelente Sestine deve ter sido baseada na também belíssima "Black Star", do Radiohead;
» "Olhar para trás", do Cromonato, tem riffs guitarrísticos idênticos aos da clássica "Summer", do Buffalo Tom, e até mesmo a entoação como a música é cantada.
» "Till the end of the day", do Big Star = "Anyway anyhow", do camaleãozíssimo;
» "Boo Boo", do novíssimo disco do Wedding Present = "Rhinoceros", do Smashing Pumpkins;
» "The Forest Green", do Yo la tengo, lembra bastante "Envelheço na Cidade", antigo sucesso do Ira!. Ou talvez tenha acontecido o contrário, já que ambos os discos que contêm essas músicas ("Ride the tiger" e "Vivendo e não aprendendo") foram lançados em 1986;
» Autoplágio do fofo Ron Sexsmith: "Think we're lost" e "Nothing good";
» A instrumental “5.20.22” do excelente Girls in Hawaii = “Henry Lee”, do Nick Cave;
» E a nova do novo da Isobel Campbell, agora em parceria com o Mark Lanegan não poderia ficar fora dessa gislista. Sua pulcrésima "Who built the road" é muuuuiiiito "Henry Lee", da dupla Nick Cave & Polly Harvey e muuuuiiito melhor do que esta. E não digo isso apenas por se tratarem ambas de duetos, mas sim porque até o jeito como cantam é igual;
» De novo o Tom Tom Club, mas dessa vez sendo plagiado pela Cyndi Lauper, que em seu disco novo mandou "Into the night life", que é muito parecida com "Wordy Rappinghood". A propósito, esse disquinho dela, "Bring ya to the brink" é ruim de doer (só se salva mesmo a última faixa, uma canção leve e linda, "Can't Breathe", em que ela quase nos convence de que é uma cantora de verdade. Já o restante do disco é plágio da Madonna, com tudo o que isso tem de ruim) e mostra que ela ainda mantém a mesma breguice sem-estilo que tinha nos anos 80, para o mal e para o mal...
» E quem poderá desmentir que a chiquérrima "The Sea of Tempest", do Hiro Yanagida, não alude, em forma homenageativa, a "Riders on the Storm", do Doors?



Escrito por Giselly Greene às 03h24
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