LITERALIXO
   OS 5 PIORES LIVROS DE TODO O MALDITO SÉCULO PASSADO

Lista de melhores já era, a onda agora é emporcalhar sua cabecinha lixesca -- já que acabo de emporcalhar a minha.

Por mais que selecionemos os livrinhos que farão parte de nossa livroteca pessoalesca, vez por outra cometemos alguns deslizes. Alguns, até perdoáveis; outros, nem tanto.

Claro que entre tantas bacanices surgem algumas parvoíces, nem tanto por culpa nossa, mas porque neste mundo tem gente que insiste em nos "presentear" com itens tanto insossos, quando não completamente ilegíveis de tão abomináveis.

baixo, umas contra-recs para seu contradeleite:

Adriana Alves de Araújo - As Mais Belas Poesias do Novo Milênio: Título mais que presunçoso para um livrinho insosso. Pois é, para você ter uma idéia do quanto é tosco, saiba que euzinha, sua Giselíssima predileta, a poetisa sem poesia, a lixosa rainha da lixolândia, a idiota anticlichê, a supramagnificência em forma humana, o sumo do supra-sumo, enfim, eu que sou eu sou ainda mais original que essa aí. E não estou exagerando, não. Esta compilação melosa de poesias ainda meladas não merece ser lida nem mesmo pela causa graças à qual foi publicada, mesmo sendo esta bastante nobre.

João Mohana "A Vida Sexual dos Solteiros e Casados": Assunto já batido tratado de forma arcaica. E põe arcaica nisso, meu! O autor usa expressões das mais ultrapassadas como se o troço tivesse sido escrito na Idade Média! É nisso que dá ler qualquer coisa que caia nas mãos... Mas, a idéia mais esquisita de todas é imaginar que os tais casados do título realmente tenham uma vida sexual, tfu!

Mary Alice Monroe "O Clube do Livro": Sem comentas, tsc, tsc... Ganhei esse troço aí num maldito amigo secreto do qual fui obrigada a participar, numa época longínqua. Quis rasgar essa desgrama em mil e atirar na cara da infeliz que se achou brilhante o bastante para me fazer de palhaça. Bom, fica aí uma valiosa dica ao lixonauta: jamais participe de amigos-secretos, mesmo que te obriguem a isso. Não se desespere, lembre-se de que sempre haverá uma forca no fim do galho.

Toni Tucci - O Segredo da Borboleta: Típico lixo auto-ajudativo e autobiográfico daqueles que só ajudam mesmo seus autores... A leitura, além de se revelar de um pedantismo inagüentável, ainda por cima minimiza o leitor. Perto dessa porcaria com P.H.d, este blog lixesco é o paraíso da boa escrita...

Álvares de Azevedo - Macunaíma: Sei que pode parecer maldade proveniente de uma cadela que não tem QI suficiente para ler-entender-deleitar-se com esta pseudomaravilha da literatura brasileira, mas realmente é um pé-no-saco. Não consigo ver a menor graça nesta lixeba horrenda, muito menos naquele protagonista antipaticíssimo, grande causador de minha nojosidade por esta pérola do mau gosto. Nem parece o mesmo autor do arrebatador "Contos Novos"...

 



Escrito por Giselly Greene às 21h35
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   CLÁSSICOS DA LITERATURA MUNDIAL QUE A GIGI NÃO RECOMENDA NEM SOB TORTURA

Eu não aguento! "A Dama das Camélias" é a coisa mais nojosa que já tive o infortúnio de ler. Parece mais o tipo de quel que deve ter inspirado escritoras água-com-açúcar como Mary Alice Monroe. É assustador o modo como aquela horrorenta protagonista é ridiculamente insossa e vazia. Nada nela é profundo, nem mesmo sua frivolidade, que vai até os ossos. Passei a vida inteira ouvindo maravilhas sobre essa obra-prima do patético Dumas Filho, e alimentei milhões de expectativas, mas assim fica difícil não cair para trás.

Por mil demônios fedorentos, o bichano escrevia mal para caralho, é impossível ler aquela merdiculosidade sem vomitar a cada alocução. Mas, claro, duas ou três frases de efeito não fazem um bom drama, que neste caso, se transformou no pior dos melodramas que eu já vi. Vai entrar no primeiro lugar da lista das peças que eu gostaria de jamais ter lido. Aliás, não merece nem ser chamada de peça teatral, pois até minha "Farelo ou Migalha" é superior a esse troço meloso - e é também a pior peça que já escrevi (em duas versões: morango ou chocolate). Se bem que o problema não é a melosidade desenfreada, e sim o modo como o texto (?) é inútil e apavorantemente desdotado de alma, de profundidade, de poesia. Dumas Filho mais se asemelhava a algum estudante da segunda série tentando escrever poesias. Ridiculosíssimo o modo como agem TODOS os personagens, pior ainda é o plastificado ciúme do Armando, que foi incompetentemente criado com a intenção de ser doentio, mas acabou ficando tão patético que não convenceria nem um telenoveleiro assumido.

Deixa-me doente e não entendo como uma merda daquela pôde se eternizar? Bem, acabo de responder à esta pergunta. E quanto àquele excesso perturbador de pontos de exclamação? Que diabo é aquilo? Me pergunto se eles foram inclusos pela tradutora da edição brasileira, mas acho que já estavam lá antes disso. Na versão que eu transcrevi (em pesadelo), fiz questão de retirar boa parte dessas exclamações pleonásticas ultra-ridiculosíssimosérrimas. Pior ainda é o modo como as vírgulas foram colocadas, todas onde não deveriam estar, erro primário inaceitável até num aluno de pré-primário!

Quem dera fosse 'só' isso...

Inesquecível, no pior dos sentidos, aquela cena última na qual a piranhona finalmente morre. Além de termos de aturar aquela ladainha infinita sobre o pseudo-amor que alegava sentir pelo ridiculoso Armando, ainda somos obrigados a ouvir as baboseiras galinhísticas sobre a morte e a vida, sobre a existência de um Deus misericordioso (tão confiante a vagabunda está que acredita que poderá ser salva de sua devassidão e nugacidade!) e o diabo que a carregue! Mais inexplicável que o fato de chamarem Dumas de dramaturgo, só mesmo o fato de que TODOS os homens pareciam cair de amores por aquele estrupício, que nem ao menos era uma mulher e sim um poço lamacento de mediocridade e rispidez que me causavam tanto asco quanto o mais eficiente dos vomitórios. Não li outras obras de Dumas, mas pretendo dexistenciar-me antes de voltar a ler outra bobajada dessa.

 

 



Escrito por Giselly Greene às 13h30
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   GISELLY GREENE ORGULHOSAMENTE APRESENTA... COMO ESCREVER UM BEST-SELLER ou DESVENDANDO SIDNEY SHELDON

Isso mesmo, fazendo jus ao título deste blog, a sua filantrochata humanotária antropobesta favorita está de volta, pronta para ajudar aos que não querem ser como ela!!!!!!!!! 

Puxa vida, eu já tinha me esquecido como Sheldon é bom. Ele tem um talento dos infernos, além de ser um workaholic hiperprodutivo – sim, amigos, existem workaholics pouco produtivos e eu sou um exemplo (im)perfeito deste tipinho. Agora eu entendo porque todas as personagens dele têm vidas perfeitas (e seus romances, finais felizes): é porque ele retrata fielmente a sua época e seu meio ambiente; porque ele vive rodeado por pessoas ricas, bonitas e famosas; porque ele também é assim, porque sua própria vivência exemplifica que é possível conseguir milhões de dólares com trabalho árduo, perseverança, sortesortesortesortesortesortesorte e talento, afinal, ele é um dos pouquíssimos que não é um best-seller à toa, um entre um bilhão de seres. Ele fez sucesso com sua própria fórmula (que tantos tentaram, em vão, copiar - e eu me incluo nesta lista, mas há uns cinco anos desisti), que inclui grandes perseguições, heróis além da imaginação, vidas mais que gloriosas, personagens que são superbonzinhos ou ultraperniciosos, estórias cheias de reviravoltas (virada da virada... da virada), quase um estilo novelesco (mas com muito mais classe e menos ingenuidade babaca), mistura alguns gêneros (mas nada a ver com o new new weird), 60% de ação, uns 40% de romance, numa narrativa delirante e envolvente (grau de grudência: 100%!); muitas personagens, e todas elas com estórias de vida bastante incomuns (ou muito tristes ou muito maravilhosas) e por aí vai. Sheldon pode ser criticado por seus diálogos irritantemente telenovelescos, pelos freqüentes parênteses com pensamentos vergonhosos dos personagens e por sei lá mais o que, mas a verdade é que ele ainda assim, merece todo esse auê em torno de sua obra literária porque descobriu uma fórmula infalível para agradar a TODOS os públicos. Eu seria a primeira a torcer meu grande nariz para ele, mas a verdade é que não é qualquer um que consegue usar elementos intelectualmente tão chinfrins para criar estórias espetaculares e instigantes. Ele provavelmente tem alguma coisa que somente seus personagens mais brilhantes têm: nasceram virados para a Lua. Admito que o invejo, mas o admiro acima de tudo. É um caso raro em que inveja e admiração andam juntas e em harmonia. Ele foi o primeiro grande escritor que abrilhantou minha nojosa vidinha. Ele foi o primeiro que me ajudou a passar boas horas em agradabilíssima companhia, me fez esquecer a minha ultra-ordinária semivida (que já tinha começado a se mostrar insuportável quando eu tinha sete anos), por algumas horas gloriosas, afinal, não é essa a grande sacada das Artes? Nos transportar para outra dimensão, em que essas leis ridículas dos humanos ridículos não existam? É essa a real função da arte, a abstração (além de instigar, conduzir pensamentos, discutir conceitos e outros), é isso o que procuramos quando vemos um filme, quando ouvimos música ou quando lemos um livro! A arte serve para nos arrancar de nossas vis existências e nos trazer um pouco de diversão e acalento; serve para nos mostrar que nem tudo neste mundo nojento e cruel é tão nojento ou tão cruel. E Sheldon o faz brilhantemente, por isso sempre foi e sempre será um dos meus dez mais.

Os sheldianos mais recomendados pela Giselíssima: "As Areias do Tempo"; "O Reverso da Medalha", "O Outro Lado da Meia-Noite"; "Se Houver Amanhã". Recomendaria também "Um Capricho Dos Deuses" e "O Fantasma da Meia-Noite", mas não o farei pelos seguintes: "O Fantasma..." é infanto-juvenil, o que não permitiu a Sheldon que demonstrasse todo o seu valor; além do mais, esse livro tem para mim um valor mais sentimental que literário; já "Um Capricho dos Deuses" tem uma narrativa tão viva quanto os outros, mas infelizmente peca muuuuuito nos clichês de "família de classe-média ultrairritantemente comum" muito mais do que eu qualquer outro de seus romances. O mesmo acontece com a bestalóide protagonista do surpreendente (não são todos?) "Conte-me Seus Sonhos", que conta com enredo mais que genial sobre assunto pouquíssimo explorado e superinteressantérrimo, o TDC (ops, spoiler!). 

Enfim, vamos aos principais truques sheldonianos:

1 - Conte estórias de personagens que 'se fizeram por si mesmos' e chegaram a níveis inimagináveis de riqueza e sucesso na carreira, como todas as personagens 'perfeitas' do Sheldon;

2 - Adote um estilo 'telenovelesco', isto é, personagens e diálogos cliclezentos;

3 - Não se esqueça de incluir de 7% a 10% de cenas de sexo. E pode ir esquecendo as convenções sociais, seja "semi-udigrudi", se aproximando de porno-escritores chinfrins como Harold Hobbins e Charles Bukowski

4 - Cite sempre muitos nomes de ruas, bares... Faça seus milhões de personagens andarem por milhões de ruas. Isso tudo ajuda bastante a encher linguiça,a ssim como falar de aspectos da vida de cada um dos personagens;

5 - Inclua personagens que são superhumanos (superdisposição, superbeleza, QI inimaginavelmente alto, muito carisma, etc), que façam até mesmo pessoas ultraegocentristas se sentiriem piores que lixebas podres;

6 - Todos os personagens (ou quase todos) tinham algum graaande segredo, que eram arremessados no leitor sempre que o gongo tocava. Use isto;

7 - Narração sempre na 3ª pessoa do singular, onipresente e onisciente. Repare que este não é um tique exclusivo do Sheldon, mas também de praticamente todos os outros best-sellers por aí desde até Dan Brown;

8 - Final feliz!!!!!!! Nunca se esqueça de incluir um desfecho que a maioria das pessoas vá gostar.

 



Escrito por Giselly Greene às 21h51
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   EMULANDO SHAKESPEARE

 

Se quiser imitar o grande mestre, não pode ter receio de se tornar um perfeito chatola, pois só sendo perfeitamente mala para poder escrever textos perfeitamente pedantes. Vamos às regrinhas:

Coloque milhares de personagens bobos e que não tenham nenhuma função a não ser confundir a cabeça do bem-intencionado leitor. E não se preocupe com o destino que dará a todos eles, porque pode ter certeza de que seu leitor também nem se importará com isso;

Se você quiser alcançar a tão almejada "riqueza psicológica" que os personagens shakesperianos têm, basta planejar personagens planos disfarçados de personagens redondos, assim você conseguirá que os críticos se rasguem em elogios. Sim, incrivelmente esse truquezinho chinfrim dos tempos de Sófocles (outro mala sem alças e sem rodas) ainda funciona na nossa época tão telenovelesca. Aliás, funciona exatamente por causa disso;

Inclua muitos "espíritos" e seres sobrenaturais detentores de poderes de meter inveja até nos X-Men. Acredite, isso dá certo até hoje, basta ver o sucesso que as Rowlin da vida fazem. Já o sucesso do inventivo Tolkien eu não explico;

Faça os personagens serem tão chatolas quanto os dele, sempre a repetir ad aeternum a mesma maldita fala até que entre na cabeça do interlocutor e não saia mais, como ele fez na chatíssima "A Tempestade" (numa época em que ele já estava gagá);

Pode reparar que nas peças do nosso "ó mais charlatão", a ação sempre poderia ocorrer em um ou dois cenários os mais simples e, no entanto, ele sempre incluía milhares de cenários sem pé nem cabeça, totalmente desnecessários. Isso porque ele queria impressionar pela grandiosidade e pompa de suas produções, ao invés de se ater ao bom e velho texto. Mas eu concordo, o público aprecia mesmo é o espetáculo como um todo, e o Fallabella do século XVI sempre soube o que o público queria;

De vez em quando inclua uma ou outra frase pseudo-espirituosa para impressionar os críticos tão charlatães quanto você. Exemplos disso podem ser econtrados aos montes em sua peças mais famosas (por isso são as mais famosas): "Hamlet" e "Romeu e Julieta";

Lição de moral pé-no-saco não pode faltar. Essa é a parte mais fácil para os autores de hoje, pois lhes basta abrir qualquer livrinho vagabundo de "auto-ajuda" e copiar os primeiros parágrafos. 

Obs.: Eu sei, eu sei, passei a impressão de que não gosto ou não entendo a obra shakesperiana. Nada disso, caríssimo lixonauta. O que ocorre é que Shakespeare foi um dramaturgo de algum talento, mas passou bem longe da genialidade. Ele foi superestimado pela crítica e continua a ser, porque em sua época poucos ou nenhum autor além dele foi capaz de tocar diretamente o coração das massas. Medíocre, então? Eu não diria isso, ele certamente tinha seu valor, mas havia outros que poderiam e mereciam ter tomado seu lugar. Ibsen seria um deles, se tivesse nascido no mínimo 400 anos antes, e dotado de muito carisma e de uma esposa rica, coisas que ele nunca teve.

 



Escrito por Giselly Greene às 21h50
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   COMO ESCREVER UM ROMANCE "ÁGUA-COM-AÇÚCAR"

 

Se você quer escrever livros muito bons e que vendam bastante (como os do Sheldon), mas não consegue, isso não significa que você não possa se tornar um super vendedor de livros (e nada de vender porta-a-porta).

Desde que me conheço por gente, tenho visto muitas escritorazinhas ridículas alçarem voo e declinarem logo em seguida, mas sempre mantendo a mesma atitude pseudo-requintada de um milinário decadente. Infelizmente, muitas delas, uma vez no topo, passam a planar suavemente pelos céus da fama.

E por que??????

Oras, porque o mundo sempre teve e sempre terá ínumeros leitores eventuais e desocupados (desses que Nietzsche -- sim, novamente evoco-o, ó mais sábio -- chamava de "supérfluos") que querem apenas uma estória boba e que não exija muita concentração para ler rapidamente e sobre a qual possam comentar com seus amiguinhos igualmente descerebrados.

Bom, à lista de como imitar Sheldon (no post acima), eu acrescentaria esses:

1 - Inclua sempre personagens pomposos, bobalóides e ultra-irritantemente normais. O que? Não sabe que bicho é esse? Isto é, neófobos que vivem a reclamar da boa vida que levam e que, quando se defrontam com uma chance única de mudar suas vis existências, não só hesitam como lesmas mortas como batem com a porta na cara da sorte. Ufa, bem resumido;

2 - Classe média alta em evidência: lindas e espaçosas casas; família de pai ausente; mãe dedicada e desocupada; um filho pequeno e chatola; dois filhos pré-adolescentes resmungões; um cachorro pequeno, branquinho e fofinho; um ou dois SUVs na garagem; longas horas de desjejum; escadarias na sala de estar; segue.

3 - Personagens rumando para a decadência social e psciológica e que, no fim, "dão a volta por cima" e demonstram que sabem lidar tão bem com a riqueza quanto com a pobreza (exceto com sua pobreza mental);

4 - Descrições longuíssimas e pedantes de cenários e de personagens;

5 - É claro que não pode faltar um belo e reluzente final ultrafeliiiiz, ueba!

É simples e é $uce$$o na certa.

PSG: Pois sim, pois sim. Eu sei que o raivoso lixonautinha está se perguntando: "Oras, se ela sabe como escrever best-sellers, então por que não o faz?" Já ouvu aquela que afirma que o crítico (especialmente o amador) é aquele que sabe o caminho mas que não sabe dirigir o carro?

 



Escrito por Giselly Greene às 21h49
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   DIÁRIO DA SUBESCRITORA 12-13/6 (emendei esta entrada...)

Já que este é um diário giselístico online e já que de vez em quando eu o uso como reduto de meus resmungos, vou desabafar:

Nabokov, minha alma, minha lama, mentor e carrasco. Sei que não vou enjoar jamais daquela narrativa gloriosa e redentora, embasbacante e terna,  cheia de lirismo. Nada é pior do que não dominar esta técnica que o fazia único, tão deleitante, divino. Que diabos, a essa altura da minha nojosa  (d)existência estou certa de que eu nunca vou me livrar dessa obsessão nabokoviana. O que eu sinto não é inveja, não é apenas admiração, idolatria.  Poucas coisas são piores do que essa sensação. Se eu tivesse vergonha na cara, nem que fosse um pouquinho, esqueceria que existe Nabokov, e  não leria mais nenhum livro dele. Qualquer um que me fizesse o que ele fez, todo o mal e todo o bem, mereceria uma bela temporada no inferno dos  escritores (ou seja, aqui em casa, cercado por todo o tipo de gente horrenda e ultra-inculta que pensa que Nietzsche é uma banda de heavy metal).

Mas, enfim, com Nabokov... é diferente. Eu deveria ter raiva dele, muita raiva, mas não consigo, só consigo me contorcer de dor e de inveja e de  admiração toda vez que remôo qualquer coisa que ele tenha escrito. Claro que me sinto grata por tudo o que ele me fez. Sem Vladimir Nabokov  definitivamente não existiria DeXistência, não existiria uma Giselly Greene publicável, não existiria mais essa obra-prima máxima para a merda da  humanidade, resquício do ultra-romantismo do final do século 19 transposto em pleno XXI, lágrimas de vidro, espinhos sem flores, balas de chumbo em  latas de aço, minissocos nas almofadas, aaaahh!...

Se bem que isso não tem importância alguma, porque eu não tenho importância, muito menos meu livro, por mais magnífico que ele seja. Nada  realmente importa se vamos todos nos dexistenciar (por favor, o quanto antes, por favor...), e se tudo o que restará será apenas um estranho gislivro  muito bem-escrito por alguém que há muito jazia irremediavelmente morta.

Oh... tivesse eu lido qualquer livro dele antes que me algemasse a Literatura, tudo teria sido diferente e eu teria desistido enquanto ainda havia tempo. A  lógica me diz: "Se existiu um escritor como Nabokov, o maior de todos (maior até do que o exímio Somerset Maugham), que escrevia com uma  naturalidade e destreza incomuns até para seres extraterrenos, então não precisa existir mais ninguém. Está tudo acabado, ele foi, é e continuará  sendo o melhor. Sua suposta futura carreira já era, haha." Faz sentido, não há como discordar disso. A escrita dele era tão fascinante, ultraperfeita,  maravilhosa, absolutamente incrível, que me deixa paralisada, mas não significa que eu não deva escrever também. Tantos livros ruins já foram  publicados em toda a História da maldita humanidade que me parece que eu também mereço um canto aí. Não nos cafundós da Literatura de má  qualidade, com os escritores de quinquagésima categoria, e sim no lugar ao qual sempre pertenci, junto aos escritores de segunda. E não preciso me  desculpar pela minha deficiência de modéstia, pois não sofro desse mal, e também não preciso me desculpar por escrever. A humanidade é ingrata,  fútil, ridícula e destruidora, mas tem uma sorte infernal por ter a mim, por ter XL Grix (como dizem alguns; outros dizem Gika, Gigi, Giseloca), a pessoa  que chegou para reaver o trono surrupiado pela destalentosa e chatérrima Gertrude Stein.



Escrito por Giselly Greene às 15h51
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   MICHELLY DREAKKS: APENAS UM SUBPRODUTO DE VLADIMIR NABOKOV?

Resenha de um lixolivro imaginário

Ler '0 e ½' é, concomitante, um desalento e um prazer. Um desalento porque os multitemas que subsistem nesse romance tão pouco degustável poderiam muito bem constar numa telenovela telerrível qualquer, de uma emissora qualquer, escritos por uma roteirista qualquer [sim, mas quem?]; e, um prazer porque nada é mais agradável, mais deleitoso, mais apetitoso do que gastar alguns gramas de veneno com alguma presa que não apenas o mereça, mas que parece clamar por ele.

Aliás, o título não poderia ter sido mais bem escolhido, apropriadíssimo em sua 'homenagem' ao gênio do cinema italiano e também em relação à nota que ele merece tanto da crítica, quanto do público. O '½', neste caso, seria apenas uma forma de dizer 'Olha, seu livro é péssimo, mas resolvemos dar meio ponto acima de zero porque sabemos que você se esforçou ao máximo para fazê-lo, ok?'.

Sim, eu sei, pode parecer maldoso, mas se você não ouvir meus conselhos e resolver encarar esse desafio tão desabonador, certamente irá se decepcionar. Por quê? Ora, vamos de uma vez por todas aos fatos.

Em contrapartida ao estilo requintado de Nabokov, que Michelly Dreakks tenta pateticamente emular, segue seu requentado michestilo (mixoestilo). Em outras palavras, a impressão que se tem ao ler esse debute michelesco-mixuruca é que a 'autora', em Nabokov, foi buscar inspiração e ficou sem respiração.

Seu estilo pseudonabokovista é por vezes tão criativo quanto pouco cativante, mas acima disso, deve-se admitir que o livrinho tem lá seu charme. O mesmo charme que tem uma velha desdentada cuja barriga chega três metros antes dela a qualquer lugar que vá.

Trata-se de uma narrativa composta apenas por diálogos (looongo bocejo), com inúmeros e pedantérrimos artigos sobre inúmeros e fatigantes assuntos que não interessam a ninguém além dela.

Aliás, ela deve mesmo se interessar por assuntos esdrúxulos como os títulos explicitam: 'Meias Verdades para Serem Usadas em Caso de Esporádica Confusão Mental' (isso é que é auto-ajuda!) ou 'Ah! Nada Como uma Barraca de Água-de-Coco na Beira de uma Temível e Horrorosa Estrada Deserta e Sem Fim...', senão não se daria ao trabalho de escrever algo tão insosso quanto nauseante.

Os ensaios não poderiam ter sido pior desenvolvidos, falta ênfase (a ênfase que precisaria para tornar o troço menos desinteressante), falta informação (cultura geral, hello!), falta tato (destaco um trecho: '...será que ao comentar longamente sobre meus sentimentos a respeito de tooodas as dietas que já tentei – e nas quais irremediavelmente fracassei – não estou sendo nem um pouquinho azucrinante?'), em suma, falta muito talento.

A coitada da autora, não se sabe se por ignorar os fatos (que ficam claros para quem quer que leia algumas páginas deste lixopúsculo), ou se por puro e simples masoquismo, resolveu colocar uma cereja em cima do bolo. Sim, como não bastasse toda a condescendência que gira em torno desta penúria literária, ela adiantou aos pobres leitores sobreviventes, alguns trechos de sua obra seguinte, curiosamente intitulada '(Insira Um Título Aqui)' (glup!).

Ela divaga sobre que assunto assassinará neste novo livro, o que nos deixa ainda mais assustados: será uma compilação, livro-lista dos melhores e piores títulos de livros de que já se teve notícia! Muitas incertezas essa informação nos trará, mas sabemos, intuitivamente, que o título de algum de seus livros estará ocupando o primeiro lugar na tal lista dos piores. A dúvida que permanece é apenas sobre qual será o escolhido.



Escrito por Giselly Greene às 15h31
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Informática e Internet, Saúde e beleza, Veganismo


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