LITERALIXO
   APENAS ISSO BASTA

Sobre o livre-arbitrio, essa é a desculpa que os criacionistas usam para inocentar seu deus. Se Deus existe e é onipotente e se ele criou esse universo, então como pode ter sido tão descuidado a ponto de querer destruir sua obra? Ao criar os humanos, ele indiretamente contribuiu para que sua obra-prima (o planeta Terra) fosse degradada. Que onipotência é essa que não o impediu de criar seres tão imperfeitos como as pessoas? Porque ele não deixou que apenas os outros animais vivessem aqui? Eles nunca degradam ambiente algum; vivem do que a terra lhes dá, caçam (o que é um brutalidade, mas "aceitável", de certo ponto de vista), mas nunca estragam seu ambiente nem o dos outros.

E se Jesus existiu, e se fez tantas coisas boas como as que a gente lê na Bíblia, então aí está outra prova do quão sádico ele é. Quem, em sã consciência, envia o próprio filho para uma morte torturante como aquela? Claro, a desculpa esfarrapada é de que que ele estava tentando salvar a humanidade, mas me pergunto novamente: Por que não usou de toda sua onipotência para essa "pequena" tarefa? Ou simplesmente por que não melhorou os homens? Ou ainda: Salvar a humanidade de quê? Por acaso alguém se sente a salvo aqui?

Não sou uma rebelde sem causa. Aliás, nem rebelde eu sou, mas é que não consigo aceitar essas coisas.

Se Jesus morreu na cruz por nós então isso só prova o que eu já disse, e alimenta ainda mais minha revolta. Começo a acreditar naquela estória sobre o homem ter sido feito à imagem e semelhança de Deus. Como eu posso não me horrorizar em estar cercada de tantas pessoas abomináveis? 

Imagine a seguinte cena: uma mãe acaba de dar a luz a uma criança; ela pega seu bebê e o abandona num terreno baldio. Poucos dias depois o bebê é encontrado morto.

Que conclusão tiramos disso?

Ora, a mulher evidentemente deu a seu adorado filho o livre-arbitrio.

O que o suposto Deus fez com a humanidade foi a mesma coisa. Se Deus realmente existe e se criou o universo, então deveria ter dotado os homens da dose de sabedoria necessária para que pudessem lidar com a liberdade. A liberdade concedida a um ser que não tem condições físicas de lidar com ela torna-se a pior das prisões.

Você mesmo pode criar inúmeros outros exemplos como esses e sabe que eles fazem sentido. Se Deus não queria interferir na vida de niguém, porque ele não quer ser autoritário, deveria, no mínimo (e digo que isso é um dever dele porque se foi ele quem nos criou, então tem seus deveres para conosco, assim como nós temos os nosso deveres para com ele) dotar TODAS as pessoas de uma boa quantidade de sabedoria para que elas pudessem usufruir da liberdade.

No opúsculo "A Cabana", de William Young (que indicaram a mim há muito tempo e em circunstâncias que prefiro esquecer), Jesus diz que sua intenção sempre foi que pudesse viver em comunhão com os humanos, em ordem de igualdade. Mas onde há igualdade aí? Se Jesus realmente existiu, então aí está a maior contradição a esse argumento: a de que ele foi superior a todos os humanos. Sim, porque ele não julgou nem mesmo àqueles que lhe fizeram mal e sempre fez o bem a incontáveis pessoas; enfim, porque ele foi capaz de algo que muito humanos até poderiam fazer, mas não o querem.

Eu me pergunto algumas coisas:

1. Quem disse que a liberdade (livre-arbitrio) é o que os seres humanos mais precisam, quando há tantas outras coisas que nos fazem falta, como por exemplo, a paz, o amor, a solidariedade, o respeito? Não é à toa que há ainda hoje defensores ferrenhos do livre-arbitrio que deixam seus filhos morrerem de alguma doença facilmente curável simplesmente porque não os levam ao médico, pois intereferir na doença seria um insulto a Deus ou falta de fé.

2. E, mesmo que a liberdade fosse a única coisa de que precisássemos, por que Deus sentir-se-ia no dever de nos dar isso, se raramente nos deu algo que se possa considerar útil?

Outra passagem no livro que não faz o menor sentido é esta, em que o protagonista Mack conversa com seu deus:

"- Mas você veio na forma de homem. Isso não significa alguma coisa?

- Sim, mas não o que muitos imaginam. Vim como homem para completar a imagem maravilhosa de como fizemos vocês. Desde o primeiro dia escondemos a mulher no homem, de modo que na hora certa pudéssemos retirá-la de dentro dele. Não criamos o homem para viver sozinho. A mulher foi projetada desde o início. Ao tirá-la de dentro dele, de certa forma ele a deu à luz. Criamos um círculo de relacionamento como o nosso, mas para os humanos. Ela saindo dele e agora todos os homens, inclusive eu, nascidos dela, e tudo se originando ou nascendo de Deus.

- Ah, entendi. Se a mulher fosse criada primeiro, não haveria um círculo de relacionamento e não se tornaria possível um relacionamento totalmente igual, cara a cara, entre o homem e a mulher. Certo?

- Certíssimo, Mack. Nosso desejo foi criar um ser que tivesse uma contrapartida totalmente igual e poderosa: o homem e a mulher. Mas sua independência, com a busca de poder e de realização, na verdade destrói o relacionamento que seu coração deseja."

Ora, se no Gênesis estivesse escrito o oposto, que a mulher foi criada por Deus e em seguida, de uma costela dele, Deus criou o homem, provavelmente teríamos visto uma inversão do que tivemos, os homens teriam sido escravizados pelas mulheres...

Se a mitologia da Bíblia afirmasse que a mulher foi criada antes do homem, isso não interferiria em nada no relacionamento de igual para igual. Aliás, um relacionamento que, em teoria, é possível, mas que na prática sempre esteve longe de ser concretizado.

Enfim, esse é um assunto sem fim, então paro por aqui.



Escrito por Giselly Greene às 11h45
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   NADA A FAZER

De alguns anos para cá tenho sentido que as coisas andam muito piores do que já estiveram. Sim, eu sempre me senti assim com relação a mim, mas estive sempre tão ocupada olhando para o meu próprio umbigo que nunca tinha notado o quão mal ia o mundo. Bom, tinha notado sim, mas não no que se refere aos aspectos relativos às artes em geral.

Quando movo meu pescoço preguiçoso para trás, percebo que já no início do século XX não existia nada mais a ser criado nas Artes Plásticas, tanto é que o charlatão Duchamp e trupe vieram com aquela baboseira anti-arte, alegando que tudo é arte (tfu!). E, pensando bem, guardadas as devidas proporções, o mesmo vale para as outras formas de arte.

No caso da música, a coisa começou a degringolar para todos os estilos no fim dos anos 80, embora tenha surgido nesta década alguns compositores de inegável talento e inspiração infinita, como Billy Corgan, Stephen Malkmus, Jeff Tweedy, Renato Russo, Leoni e uns poucos outros.

Acaso todos os artistas (isto é, compositores, teatrólogos, pintores, cineastas, etc, e não esse bando de pseudoautores, músicos e atores medíocres que pensam ser importantes apenas por estarem na TV) deixassem de produzir novas obras, a humanidade nada perderia (a não ser no quesito financeiro, embora creia que as reedições de livros e de discos e as reprises de programas de TV e de longas-metragens nos cineclubes seriam capazes de satisfazer esse mercado), embora deixasse de ganhar em criatividade, pois para produzir criatividade é preciso tê-la.

Não, não é uma visão catastrófica, apocalíptica, e é evidente que não sou tão ingênua a ponto de pensar que algo tão radical vá acontecer algum dia, mesmo daqui a uns mil anos, sei que jamais acontecerá algo assim enquanto existir o abominabilíssimo capitalismo, que por sua vez, jamais deixará de existir enquanto a humanidade estiver por aí.

Grr...



Escrito por Giselly Greene às 11h45
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